Os pedidos pelo iFood podem ficar mais caros em Uberaba a partir de agosto. O alerta é do Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores), que vê com preocupação a implantação de um novo modelo logístico da plataforma na cidade. Segundo a entidade, a obrigatoriedade do serviço de entrega realizado pelo próprio iFood pode elevar significativamente os custos dos restaurantes, pressionando o preço final pago pelos consumidores.
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Uberaba foi escolhida, ao lado de Imperatriz (MA), para participar de um projeto-piloto que centraliza toda a operação de entregas na plataforma. Com a mudança, os estabelecimentos deixarão de utilizar equipes próprias de motoboys para os pedidos realizados pelo aplicativo, passando a depender exclusivamente da logística do iFood.
Como a mudança pode afetar os pedidos pelo iFood
De acordo com o presidente do Sinhores, Fernando Abdalla, para o jornal Pingo do J, o novo modelo aumenta o custo operacional dos restaurantes. Atualmente, os estabelecimentos pagam cerca de 12% de comissão sobre cada venda realizada pelo aplicativo, além de uma taxa financeira de aproximadamente 3,2%.
Com a inclusão obrigatória do serviço de entrega da plataforma, esse percentual pode ultrapassar 30%, segundo estimativas do sindicato. Com isso, muitas empresas terão dificuldade para absorver esse aumento sem reajustar os preços dos pedidos pelo iFood.
“Quem vai pagar essa conta é o consumidor final, porque os estabelecimentos não têm margem para absorver esse impacto”, afirma Abdalla.
Restaurantes temem demissões e perda de autonomia
Outro ponto de preocupação é o impacto sobre os estabelecimentos que mantêm equipes próprias de entregadores. Segundo o sindicato, há restaurantes em Uberaba que concentram a maior parte do faturamento nas vendas realizadas pelo iFood, mas utilizam motoboys contratados diretamente para reduzir custos e controlar melhor a operação.
Caso o novo modelo seja implementado de forma obrigatória, esses negócios poderão precisar desativar suas equipes de entrega.
“Existem estabelecimentos que hoje têm 90% do seu faturamento provenientes de venda pelo iFood e não necessariamente usam a entrega da plataforma. Um estabelecimento que tem quatro entregadores, por exemplo, vai ter que mandar todo mundo embora”, disse.
Preocupação aumenta em dias de maior movimento
Além disso, empresários temem que a dependência exclusiva de entregadores da plataforma para pedidos pelo iFood provoque atrasos em períodos de alta demanda. O sindicato alerta para possíveis dificuldades operacionais em momentos de pico, como dias de chuva, feriados e grandes eventos.
Segundo Abdalla, nesses períodos, costuma haver redução na quantidade de entregadores disponíveis, enquanto o número de pedidos aumenta consideravelmente. A preocupação é que os restaurantes fiquem com refeições prontas aguardando a retirada, comprometendo a qualidade do serviço e a experiência do consumidor.