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Salário mínimo de 2027: O que R$ 1.741 realmente compra?

Cálculo com preços do DIEESE mostra que o poder de compra do novo piso varia muito entre as capitais do país.

4 min de leitura
Dinheiro em reais, representando o salário mínimo de 2027.
Fonte: Banco de Imagens/Canva

O governo federal projeta um salário mínimo de R$ 1.741 para 2027, valor que consta da proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional. O reajuste representa um aumento de R$ 120, ou 7,4%, sobre o piso atual, de R$ 1.621. Em Belo Horizonte, esse novo valor ajuda a aliviar um pouco o peso da comida no orçamento, mas está longe de resolver o problema.

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Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Conab, a cesta básica em Belo Horizonte custou R$ 765,25 em julho deste ano, o mês mais recente com dados disponíveis. O valor teve queda de 7,44% em relação a junho, mas ainda acumula alta de 5,02% em 12 meses.

Quanto do salário mínimo de 2027 vai para a cesta básica em BH

Considerando o salário mínimo líquido projetado para 2027, ou seja, já com o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, o valor disponível fica em R$ 1.610,43. Nessa conta, a cesta básica de Belo Horizonte consumiria 47,52% da renda de quem recebe o piso nacional.

A proporção melhora, mas pouco, em comparação com a situação atual. Sobre o salário mínimo líquido de hoje, de R$ 1.499,43, a mesma cesta básica de julho representa 51,04% da renda. Isso significa que o novo valor do salário mínimo de 2027 tiraria a cesta básica da marca de mais da metade do orçamento, mas ainda deixaria quase metade da renda comprometida só com alimentação.

Em comparação com outras capitais, Belo Horizonte fica em posição intermediária. São Paulo tem a cesta mais cara do país, a R$ 915,01, o que consumiria 56,82% do mínimo líquido projetado para 2027.

No outro extremo está Aracaju, com a cesta mais barata, a R$ 594,07, equivalente a 36,89% do piso. A média das 27 capitais fica perto de 45%, praticamente o mesmo patamar registrado em Belo Horizonte.

O que pesou no preço da cesta básica em Belo Horizonte

Dos 13 produtos que compõem a cesta básica pesquisada pelo DIEESE na capital mineira, seis tiveram queda de preço entre junho e julho. As maiores baixas foram do tomate, com recuo de 38,88%, da batata, com queda de 27,70%, e do feijão-carioca, que caiu 9,08%. Banana, café em pó e farinha de trigo também ficaram mais baratos no período.

Do lado das altas, o leite integral subiu 1,75%, o óleo de soja teve alta de 1,67%, e a manteiga, o açúcar cristal, o pão francês e a carne bovina de primeira também tiveram reajustes pontuais, embora menores. O arroz agulhinha foi o único item que se manteve estável no mês.

Um levantamento paralelo feito pela Fundação Ipead, ligada à Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, chegou a um valor próximo para a cesta básica na capital mineira em julho, de R$ 759,08, o equivalente a 46,83% do salário mínimo atual.

A proximidade entre os dois números, mesmo com metodologias distintas, reforça o tamanho do peso da alimentação no orçamento de quem recebe o piso nacional em Belo Horizonte.

Quantas horas de trabalho custa a cesta básica em BH

Outra forma de medir esse impacto é calcular quantas horas de trabalho são necessárias para comprar a cesta básica. Com o salário mínimo atual de R$ 1.621 e uma jornada padrão de 220 horas mensais, o valor da hora trabalhada fica em R$ 7,37.

Nessa conta, um trabalhador de Belo Horizonte precisa de cerca de 103 horas e 52 minutos de trabalho só para pagar a cesta básica do mês.

Se o cálculo for feito com o salário mínimo de 2027 projetado em R$ 1.741, a hora trabalhada sobe para R$ 7,91, e o tempo necessário cai para aproximadamente 96 horas e 42 minutos. Na prática, isso representa quase um dia inteiro de trabalho a menos por mês só para colocar a cesta básica em casa.

O reajuste ainda pode mudar até dezembro

O valor de R$ 1.741 para o salário mínimo de 2027 ainda não está fechado. Ele segue a política de valorização do piso nacional, que combina a inflação acumulada até novembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, com o crescimento real do Produto Interno Bruto de dois anos antes, no caso de 2027, o resultado de 2025, que teve alta de 2,3%. O ganho real fica limitado a um teto de 2,5% acima da inflação, conforme regra do arcabouço fiscal.

Além disso, a conta apresentada aqui parte da hipótese de que os preços da cesta básica continuariam nos patamares de julho até 2027, o que dificilmente vai se confirmar. Caso os alimentos voltem a subir junto com o novo salário mínimo, o ganho de poder de compra para quem mora em Belo Horizonte pode encolher ou até desaparecer por completo.

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