Economia Geral

Venda de lotes em MG cresce mesmo com juros altos

Setor imobiliário mineiro vende 5.160 lotes no primeiro semestre, movimenta R$ 1,3 bilhão e aposta em robôs para acelerar obras.

4 min de leitura
Exemplo de venda de lotes em MG, em 3D.
Fonte: Banco de Imagens/Canva

O primeiro semestre de 2026 trouxe um resultado positivo para o mercado imobiliário mineiro. A venda de lotes em MG somou 5.160 unidades comercializadas entre janeiro e junho, um avanço de 22,7% em relação às 4.206 unidades vendidas no mesmo período de 2025.

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O levantamento é da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (AELO), elaborado pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil e o Sindicato da Habitação de Minas Gerais.

O que impulsiona a venda de lotes em MG

O principal motor desse crescimento são os loteamentos fechados, empreendimentos com infraestrutura própria, controle de acesso e área de lazer, voltados a famílias que buscam mais segurança e qualidade de vida.

Esses produtos têm valor agregado maior e cresceram 13,6% no acumulado do semestre, chegando a 2.278 unidades vendidas. Já os loteamentos abertos, sem essas estruturas, tiveram um comportamento mais instável, com queda de 32,5% nas unidades comercializadas apenas no segundo trimestre.

O Valor Geral de Vendas do setor também acompanhou essa curva positiva, avançando 24,1% apenas no segundo trimestre em comparação ao trimestre anterior. Isso mostra que, além de vender mais unidades, o mercado também está conseguindo repassar valores mais altos, reflexo da procura por lotes de maior padrão.

Juros altos não frearam o setor imobiliário

Mesmo com a taxa básica de juros em 14%, o setor de loteamentos não sentiu o impacto negativo que normalmente se espera em cenários de crédito mais caro. O perfil de quem compra lote em condomínio fechado costuma ter maior poder aquisitivo e não depende tanto de financiamento bancário tradicional, o que reduz a sensibilidade desse público às variações da taxa de juros.

Esse comportamento ajuda a explicar por que a demanda seguiu aquecida mesmo em um cenário de crédito restritivo para outras áreas da economia.

Regiões que mais vendem lotes em Minas Gerais

A Grande Belo Horizonte, o Sul de Minas e o Triângulo Mineiro se destacam como as regiões com maior participação nas vendas do estado. Historicamente, cidades como Nova Lima, Lagoa Santa, Sete Lagoas, Pouso Alegre e Uberlândia concentram boa parte da procura por loteamentos fechados, já que reúnem infraestrutura urbana consolidada e proximidade com grandes centros de emprego. A expectativa do setor é que novos lançamentos nessas mesmas regiões acelerem ainda mais os números até o fim do ano.

Robôs chegam à construção civil mineira

Outra novidade que deve influenciar o setor nos próximos meses é a chegada de robôs às obras em Minas Gerais. Uma empresa mineira de construção civil de alto padrão fechou parceria de exclusividade no Brasil com uma fabricante chinesa especializada em automação para canteiros de obras.

Os equipamentos custam entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão e executam tarefas como lixamento de massa, pintura interna, nivelamento de concreto e transporte de materiais.

Cada robô consegue realizar o trabalho equivalente ao de três a quatro trabalhadores, com potencial de reduzir o custo da mão de obra em cerca de 30% e dobrar a produtividade em algumas etapas da obra. A proposta é usar essa tecnologia para driblar a escassez de profissionais qualificados no setor, um problema que tem se tornado estrutural na construção civil brasileira.

A empresa responsável pela representação da tecnologia no país planeja investir R$ 5 bilhões em produtos nos próximos cinco anos, incluindo a expansão do uso de robôs para outros estados e países da América Latina.

O que esperar para o segundo semestre

Com o desempenho positivo do primeiro semestre e a expectativa de novos lançamentos na Grande BH, no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro, o setor projeta manter o ritmo de crescimento até o fim de 2026.

A combinação entre a busca por segurança em condomínios fechados, a resiliência da demanda diante dos juros altos e o avanço de tecnologias como a automação em canteiros de obras forma um cenário que tende a manter aquecida a venda de lotes em MG nos próximos meses.

O ponto de atenção fica por conta do ritmo de novos lançamentos, que precisa acompanhar a velocidade das vendas para evitar escassez de estoque.

Quando o volume de lotes disponíveis cresce mais devagar do que a demanda, o efeito natural é a valorização dos terrenos, o que pode tornar o produto menos acessível para uma parte dos compradores interessados em migrar para condomínios fechados no interior do estado.

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