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Mineradora investe R$ 2 bi em terras-raras em Uberlândia

St George Mining assina acordo com o grupo Lima & Pergher para avaliar centro de processamento no Triângulo Mineiro.

4 min de leitura
Terras raras em Uberlândia.
Fonte: Divulgação

A mineradora australiana St George Mining assinou um protocolo de intenções com o grupo brasileiro Lima & Pergher para avaliar a instalação de um centro de terras-raras em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

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O projeto tem investimento estimado em R$ 2 bilhões e prevê a criação de uma unidade de separação e processamento desses minerais, considerados estratégicos para a tecnologia moderna.

A proposta é instalar a unidade dentro do complexo industrial da START, divisão química e industrial do grupo Lima & Pergher, que já ocupa uma área de mais de 500 mil metros quadrados em Uberlândia, com infraestrutura pronta para atividades industriais de grande escala, incluindo acesso a energia, estradas e mão de obra especializada.

O acordo foi anunciado durante a Exposibram 2026, feira do setor de mineração realizada em Belo Horizonte, e a previsão é que a operação comece em 2030, caso o projeto avance até lá.

Centro de terras-raras em Uberlândia depende do Projeto Araxá

O futuro centro de terras-raras em Uberlândia está diretamente ligado ao Projeto Araxá, empreendimento de mineração da própria St George que fica na cidade de Araxá, também em Minas Gerais.

Em 11 de agosto, a empresa divulgou uma estimativa de 111,2 milhões de toneladas de recursos minerais na área, com concentração de óxidos de terras-raras e de nióbio.

A St George também já apresentou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental do Projeto Araxá, etapa necessária para conseguir a licença prévia da mina.

A ideia é que o minério extraído em Araxá seja enviado para o centro de processamento de Uberlândia, criando uma cadeia produtiva completa dentro do próprio estado de Minas Gerais, da extração até um material mais próximo do uso industrial final.

Por que as terras-raras importam tanto?

Terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em praticamente toda a tecnologia moderna. Eles estão presentes em ímãs de motores de carros elétricos, em turbinas de geração de energia eólica, em smartphones, notebooks e até em equipamentos de ressonância magnética usados na área da saúde.

Sem esses materiais, boa parte dos aparelhos eletrônicos e das tecnologias de energia limpa que existem hoje simplesmente não funcionariam do jeito que funcionam.

O nome “raras” não vem da escassez desses elementos na natureza, mas da dificuldade de separá-los e refiná-los, processo caro, complexo e que exige tecnologia avançada.

Hoje, a China concentra cerca de 91% de todo o refino mundial de terras-raras, o que torna o restante do mundo bastante dependente do país asiático.

Um projeto como o de Uberlândia representa uma tentativa concreta de o Brasil ganhar mais autonomia nessa etapa intermediária da cadeia, que costuma valer mais do que a simples venda do minério bruto.

Governo de Minas Gerais entra como parceiro

O acordo também conta com a participação do Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e da Invest Minas.

O papel do Estado será apoiar os processos de licenciamento ambiental, ajudar na articulação com fornecedores e prestadores de serviços, e auxiliar em pedidos de incentivos fiscais estaduais para viabilizar o projeto.

Além de atender ao Projeto Araxá, o centro de processamento também poderá prestar serviço a outras iniciativas de mineração de terras-raras que estejam sendo desenvolvidas em Minas Gerais, e tem potencial de se conectar futuramente ao projeto MagBras, voltado à produção de ímãs de terras-raras dentro do próprio Brasil.

Projeto ainda depende de aprovações

Apesar do anúncio e da estimativa de investimento, o centro de terras-raras em Uberlândia ainda não está definitivamente aprovado.

A instalação depende de um acordo final entre a St George e o grupo Lima & Pergher, além das licenças ambientais necessárias para esse tipo de atividade industrial.

Os valores exatos que cada empresa vai efetivamente investir na construção e operação da unidade também ainda não foram definidos, e só devem ser fechados caso o projeto avance para as próximas etapas.

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