Uma cirurgia robótica com telepresença realizada pela Rede Mater Dei de Saúde marcou a primeira experiência de decisão clínica compartilhada à distância em uma operação do tipo em Minas Gerais.
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Durante o procedimento, médicos de três estados diferentes, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, discutiram em tempo real as condutas tomadas dentro do centro cirúrgico.
A paciente foi uma criança de nove anos, diagnosticada com miastenia gravis, doença autoimune que provoca fraqueza muscular. Ela passou por uma timectomia, cirurgia que remove o timo, glândula localizada na parte anterior do tórax e responsável por parte do desenvolvimento do sistema imunológico durante a infância. Em casos como o dela, a retirada do órgão pode contribuir para a melhora do quadro clínico.
Como funcionou a cirurgia robótica com telepresença em MG
A equipe presente fisicamente no centro cirúrgico, em Minas Gerais, conduziu o procedimento com o apoio da plataforma robótica da Vinci, enquanto especialistas localizados em Curitiba e no Rio de Janeiro acompanhavam a operação por meio de um sistema de telepresença integrado à tecnologia.
Essa conexão permitiu que os médicos à distância visualizassem o campo cirúrgico em tempo real e participassem diretamente das decisões durante a cirurgia, e não apenas antes ou depois dela, como costuma acontecer no modelo tradicional de segunda opinião médica.
Essa diferença é o que torna a experiência inédita no estado. Em vez de um parecer isolado, os profissionais discutiram estratégias e condutas ao longo de toda a operação, como se estivessem fisicamente no mesmo ambiente.
O formato amplia as possibilidades de colaboração entre especialistas de diferentes regiões, especialmente em casos considerados complexos, que exigem conhecimento técnico específico nem sempre disponível em um único centro médico.
Vantagens da abordagem robótica em pacientes pediátricos
A escolha pela cirurgia robótica, em vez da técnica aberta tradicional, buscou reduzir o trauma cirúrgico da criança. A plataforma permite ao cirurgião controlar instrumentos articulados a partir de um console, com visão tridimensional ampliada da área operada e incisões bem menores do que as exigidas em uma cirurgia convencional.
Em pacientes pediátricos, esses recursos ganham peso extra, já que o espaço reduzido da cavidade torácica de uma criança exige movimentos mais precisos e delicados do que os necessários em um adulto.
A literatura médica sobre o tema aponta como principais vantagens da cirurgia robótica em crianças a menor perda de sangue durante o procedimento, o tempo de internação reduzido e uma recuperação mais rápida, com cicatrizes mínimas.
Panorama da cirurgia robótica pediátrica no Brasil
O uso de plataformas robóticas em cirurgias infantis ainda é recente no país. A tecnologia chegou ao Brasil em 2008, cerca de nove anos depois de ter sido desenvolvida, e se espalhou rapidamente entre os hospitais brasileiros, hoje referência em cirurgia robótica na América Latina, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia.
Ainda assim, sua aplicação em pacientes pediátricos segue restrita a um número pequeno de centros médicos especializados, já que exige equipamentos específicos e equipes com treinamento avançado.
A Rede Mater Dei já havia registrado, em anos anteriores, outros marcos na área, incluindo a primeira cirurgia torácica robótica realizada no Brasil em uma criança com menos de cinco anos.
A instituição também é a única rede hospitalar de Minas Gerais equipada com o modelo mais recente da plataforma da Vinci, o que ajuda a explicar por que o hospital tem sido protagonista desse tipo de inovação no estado.