Geral

UFMG cria centro para vacinas de RNA contra malária e câncer

Novo Centro de Competência em Terapias e Vacinas de RNA recebe R$ 60 milhões em quatro anos e quer aproximar universidade e indústria.

3 min de leitura
Visão de cima de onde serão produzidas vacinas de RNA.
Foto: Divulgação/CTVacinas

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oficializou a criação do Centro de Competência em Terapias e Vacinas de RNA, com investimento de R$ 60 milhões para os próximos quatro anos. O objetivo do centro é desenvolver soluções brasileiras de vacinas de RNA voltadas ao combate à malária e ao câncer, além de aproximar a pesquisa acadêmica do setor produtivo.

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

O termo que cria o centro foi assinado nesta segunda-feira (31/8), em cerimônia realizada no BH-TEC, parque tecnológico da UFMG em Belo Horizonte, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O novo espaço já trabalha nos primeiros projetos, e a previsão é que as obras da estrutura física sejam concluídas no segundo semestre de 2027.

Como funcionam as vacinas de RNA

As vacinas de RNA usam uma molécula que funciona como uma espécie de instrução para as próprias células do corpo. Ao receber essa instrução, as células passam a produzir proteínas específicas ou desencadear respostas do sistema imunológico capazes de combater doenças, sem depender de vírus ou bactérias enfraquecidos, como acontece em vacinas mais tradicionais.

Essa tecnologia ganhou notoriedade mundial durante a pandemia de Covid-19, com os imunizantes de RNA mensageiro desenvolvidos por empresas como Pfizer e Moderna.

O potencial da plataforma, porém, vai muito além de doenças infecciosas: já existem terapias de RNA aprovadas para redução dos níveis de colesterol, tanto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto por órgãos reguladores de outros países.

Vacina brasileira contra a malária é uma das apostas

Um dos primeiros projetos do novo centro é o desenvolvimento de uma vacina de RNA contra a malária, doença que segue como problema relevante de saúde pública, principalmente na região amazônica.

Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária transmitidos dentro do território nacional, o menor número em 47 anos, com queda de 15% em relação ao ano anterior, e 39 mortes provocadas pela doença.

O interesse em uma vacina desenvolvida no Brasil se justifica porque a malária predominante no país tem características diferentes das encontradas em outras regiões do mundo.

No Brasil, o parasita Plasmodium vivax responde por mais de 80% dos casos, enquanto as vacinas já disponíveis internacionalmente, usadas principalmente em países africanos, foram desenvolvidas com foco em outra espécie do parasita, mais comum naquele continente.

Por isso, a expectativa é que os estudos avancem nos próximos anos, com previsão de início dos primeiros testes de eficácia em cerca de dois a três anos.

RNA também mira o câncer

Outra frente considerada promissora pelo novo centro é o uso da tecnologia de RNA no tratamento do câncer. Nesse caso, a estratégia é diferente de uma vacina preventiva tradicional: a proposta é usar informações específicas do próprio tumor de cada paciente para estimular o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas.

Estudos clínicos recentes com vacinas de RNA contra o melanoma, tipo de câncer de pele, já mostram resultados considerados animadores nessa linha de pesquisa.

Como o câncer reúne diferentes tipos de tumores, alguns devem responder mais rapidamente à tecnologia, enquanto outros ainda exigem novos estudos. A estimativa é que vacinas voltadas a diferentes tipos de câncer possam avançar ao longo dos próximos cinco a dez anos.

Conteudos relacionados

Pessoa aplicando caneta de semaglutida.

Geral

Anvisa aprova nova caneta de semaglutida da EMS

Mulher segura celular com aplicativo da Receita Federal aberto para consultar a restituição do Imposto de Renda 2026

Economia

Receita paga último lote do imposto de renda nesta segunda (31); veja como consultar

Cachorro recebendo vacinação antirrábica.

Geral

Vacinação antirrábica começa na zona rural de Araxá