Economia Geral

Greve do Banco do Brasil chega ao fim depois de acordo, mas 18 instituições mantém paralização

Acordo prevê licença-paternidade de 35 dias, abono de R$ 3 mil e adiantamento de R$ 360 milhões para o plano de saúde dos funcionários.

4 min de leitura
Banco do Brasil, instituição que decidiu o fim da greve do Banco do Brasil.
Foto: Wikipédia

A greve do Banco do Brasil chegou ao fim na maior parte do país nesta sexta-feira, 11 de setembro, depois que os funcionários aprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pelo banco.

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A votação foi favorável em mais de 100 bases sindicais espalhadas pelo Brasil, enquanto 18 entidades rejeitaram o texto e mantêm a paralisação nas respectivas regiões.

A mobilização havia começado na quinta-feira, 20 de agosto, em meio à insatisfação de parte da categoria bancária com a proposta inicial apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

O acordo alcança cerca de 414 mil bancários vinculados a 171 instituições financeiras e prevê reposição integral da inflação pelo INPC, com aumento real de 0,6% distribuído ao longo dos próximos dois anos, reajuste que também se estende a vale-alimentação, vale-refeição, PLR e outros auxílios da categoria.

Segunda votação decide fim da greve do Banco do Brasil em regiões do interior

O caminho até a aprovação não foi uniforme em todo o país. Na base do Sindicato dos Bancários de Ponte Nova e Região, que reúne 16 agências do Banco do Brasil no interior de Minas Gerais, os funcionários rejeitaram a proposta em uma primeira votação, realizada entre quinta-feira e a manhã de sexta-feira.

Diante do cenário nacional e da adesão à greve, uma segunda votação foi aberta das 18h às 20h da própria sexta-feira, dessa vez com resultado favorável: 56 votos a favor, equivalentes a 84%, e 11 contrários, 16% do total.

Na região de Ponte Nova, cinco agências haviam aderido à greve antes da segunda votação: Piranga, Visconde do Rio Branco, Viçosa, Raul Soares e São Pedro dos Ferros.

O Banco do Brasil retomou as negociações com os sindicatos na terça-feira anterior à votação e afirmou ter chegado ao limite da proposta apresentada, citando também restrições impostas pela legislação eleitoral a estatais em ano de eleições.

O que prevê o acordo que encerrou a greve do Banco do Brasil

Entre os principais pontos do ACT está o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para o Plano de Associados da Cassi, além do compromisso de realizar estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração.

O texto também prevê o crédito da Participação nos Lucros e Resultados em até 72 horas após a assinatura do acordo por todas as bases sindicais do país.

A licença-paternidade passa de 20 para 35 dias, e o auxílio destinado a funcionários com filhos com deficiência sobe de R$ 760,48 para R$ 874,55. O salário de referência da Central de Relacionamento do banco passa de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77 a partir de janeiro de 2027.

O acordo ainda inclui financiamento sem juros em até 96 meses para pais de filhos com deficiência, abono de até cinco dias para deslocamento e realização de provas da Anbima, além de medidas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica.

Outros pontos do texto tratam do abono da ausência em 31 de dezembro de 2026, indenização de até R$ 550,5 mil por morte decorrente de assalto e a apresentação de um novo modelo de enfrentamento ao endividamento dos funcionários.

O acordo também prevê a abono da paralisação ocorrida em 20 de agosto, a contratação da Cassi para atendimento do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho e a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, previsto na Norma Regulamentadora nº 1.

Está incluído ainda um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil para o público definido pela Campanha de Adimplência 2026, cerca de 71,5 mil funcionários das áreas de negócio e apoio.

O Banco do Brasil esclareceu que o pagamento não representa uma nova meta individual e só ocorre caso o indicador de adimplência previsto na campanha seja atingido.

Greve segue em 18 bases e também atinge a Caixa Econômica Federal

Mesmo com a aprovação na maior parte do país, a greve do Banco do Brasil segue ativa nas 18 bases sindicais que rejeitaram o acordo, com novas assembleias previstas para avaliar os próximos passos em cada região.

As operações digitais do banco, como transferências, pagamentos e uso de caixas eletrônicos, continuam funcionando normalmente mesmo nos locais onde a paralisação persiste.

A mobilização dos funcionários do Banco do Brasil ocorreu paralelamente à greve nacional da Caixa Econômica Federal, que teve rejeição em todas as 27 bases sindicais do país à proposta apresentada pela instituição.

Entre os pontos de impasse na Caixa estão mudanças no plano de saúde, regras de custeio e reivindicações salariais, disputa que segue sem solução mesmo após o desfecho da negociação no Banco do Brasil.

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