O AVC em Minas Gerais segue como um dos principais problemas de saúde pública do estado. Segundo o levantamento mais recente da Secretaria de Estado de Saúde, o Acidente Vascular Cerebral foi a sétima maior causa de morte entre os mineiros em 2024, com 4.196 óbitos registrados no ano, o equivalente a uma média de 11 mortes por dia.
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Uma pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, divulgada em julho de 2026, mostra que a mortalidade por AVC não se distribui de forma uniforme pelo território mineiro.
O estudo analisou dados dos 853 municípios do estado entre 2014 e 2022 e identificou que as regiões Norte, Nordeste e Leste de Minas concentram os maiores índices de mortalidade pela doença.
Os pesquisadores associaram esse maior número de óbitos a indicadores mais baixos de saúde, educação e segurança pública nessas regiões, o que reforça a relação entre desigualdade socioeconômica e acesso mais limitado a serviços médicos.
No total, o levantamento contabilizou 88.429 mortes por AVC em Minas Gerais entre 2014 e 2022, com uma taxa média de 47 óbitos a cada 100 mil habitantes por ano.
Como o mapa da doença mudou ao longo das décadas
Outro estudo conduzido por pesquisadores da mesma universidade, com dados de 1980 a 2021, mostra que o perfil regional da doença em Minas Gerais mudou ao longo do tempo.
Entre 1980 e 1999, as áreas com maior mortalidade por AVC ficavam concentradas no Sul, Sudeste e na região metropolitana do estado.
A partir de 2015, esse cenário se inverteu, e as regiões Norte, Nordeste e Leste passaram a concentrar os piores índices, refletindo o ritmo diferente de avanço em infraestrutura e serviços de saúde entre as regiões mineiras.
Por que o AVC está ligado à saúde do coração
Apesar de se manifestar no cérebro, a origem do AVC está diretamente relacionada à saúde do sistema cardiovascular. Fatores como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo costumam agir de forma silenciosa por anos antes de desencadear um episódio da doença.
Segundo especialistas em cardiologia, esses fatores de risco podem ser identificados com antecedência por meio de exames de rotina, como medição de colesterol, glicemia e avaliações da pressão arterial e do funcionamento do coração ao longo do dia.
A recomendação médica é que a escolha dos exames leve em conta a idade, o histórico familiar e o estilo de vida de cada pessoa, já que o risco de AVC varia bastante conforme esse conjunto de fatores.
Sinais de alerta que pedem atendimento imediato
Reconhecer os sintomas de um AVC rapidamente é determinante tanto para salvar vidas quanto para reduzir sequelas graves.
Os sinais mais comuns incluem fraqueza ou formigamento súbito em um dos lados do corpo, dificuldade repentina para falar ou entender o que é dito, alteração abrupta na visão, perda súbita de equilíbrio e dor de cabeça intensa e sem causa aparente.
Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é buscar atendimento médico de urgência imediatamente, já que o tempo de resposta influencia diretamente as chances de recuperação.
O que indicam as políticas públicas de prevenção
Pesquisadores que estudam o tema em Minas Gerais apontam que reduzir a mortalidade por AVC exige ações que vão além do atendimento médico emergencial.
Entre as estratégias citadas estão programas comunitários de prevenção, ações de triagem e campanhas voltadas à educação sobre fatores de risco modificáveis, como tabagismo, hipertensão e diabetes.
Também é destacada a importância de investimentos em infraestrutura urbana, saneamento básico e segurança pública, além do fortalecimento da Estratégia Saúde da Família, programa responsável por levar atendimento básico de saúde a regiões mais distantes dos grandes centros.
Segundo os estudos, esse tipo de investimento tende a ter impacto direto na redução das desigualdades regionais que hoje concentram o maior número de mortes por AVC em Minas Gerais.