O Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou na última terça-feira (23/6) a primeira aplicação de polilaminina em um paciente do SUS no estado. O procedimento foi feito em Geovani Campos Canton, de 28 anos, que sofreu uma lesão medular grave após um acidente de moto na noite de sexta-feira (19/6). O caso representa um marco para a medicina pública mineira e para o avanço do uso compassivo da substância no Brasil.
✅ Siga o nosso canal no WhatsApp
O que é a polilaminina e como ela age
A polilaminina é uma versão otimizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e relacionada ao desenvolvimento das células nervosas. A pesquisa busca avaliar se a substância é capaz de reduzir a inflamação na área lesionada e favorecer a reconexão de estruturas do sistema nervoso, funcionando como uma espécie de “andaime molecular” que orienta o crescimento dos axônios, estruturas responsáveis pela transmissão de sinais nervosos.
O uso integra um protocolo de pesquisa clínica autorizado pela Anvisa para uso compassivo, destinado a casos graves em que não há alternativas terapêuticas equivalentes disponíveis. O neurocirurgião Bruno Cortes, do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, que integra o projeto, explica que os resultados ainda dependem de avaliação científica.
“O objetivo é favorecer a regeneração neuronal e criar condições para uma recuperação funcional maior do que a observada naturalmente. Não existe garantia de reversão da lesão, mas buscamos ampliar as perspectivas de ganho neurológico e qualidade de vida”, afirma.
Como ocorreu o procedimento
Geovani deu entrada no CHB logo após o acidente, passou por cirurgia no domingo (21/6) e, após avaliação dos critérios de elegibilidade, teve toda a documentação providenciada para que a aplicação ocorresse dentro do prazo adequado ao protocolo.
O procedimento foi realizado por equipes do CHB em conjunto com profissionais do Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O deslocamento da equipe contou com apoio aéreo do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde.
“Hoje foi um dia histórico. Conseguimos propor a um paciente internado em um hospital 100% SUS a participação no protocolo de uso compassivo da polilaminina. É uma proteína que está sendo estudada pela capacidade de estimular a regeneração nervosa e ampliar as possibilidades de recuperação neurológica e de qualidade de vida”, afirmou o ortopedista e cirurgião de coluna do CHB, Renato Guimarães.
Após a aplicação, a fisioterapia segue como parte indispensável do tratamento, pois atua no estímulo das conexões nervosas e no reaprendizado funcional. A mãe de Geovani, Vera Canton, destacou o cuidado da equipe ao longo de todo o processo. “Desde que ele chegou ao hospital foi muito bem atendido. Os profissionais explicaram a gravidade da lesão e todos os procedimentos que seriam realizados. Estou confiante, tenho fé e sou muito grata a toda a equipe pelo cuidado com meu filho”, disse. Geovani também mantém expectativa positiva. “Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Tenho grande expectativa”, afirmou.