O governo federal vai testar por dois anos a viabilidade clínica e financeira de distribuir canetas emagrecedoras gratuitamente pelo SUS. O projeto, anunciado nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde, começa com 250 pacientes já acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul.
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O que impediu a entrada da Semaglutida no SUS?
A semaglutida, base do Ozempic e do Wegovy, já foi avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em agosto de 2025. A comissão rejeitou a entrada do produto na rede pública porque o custo chegaria a R$ 8 bilhões por ano.
O Wegovy, versão com indicação específica para obesidade, custa entre R$ 1.500 e R$ 2.200 por mês em farmácias. Uma semaglutida nacional já é vendida a R$ 452 por caneta. Ainda assim, o valor é inacessível para a maior parte dos 1 em cada 4 adultos brasileiros que vivem com obesidade hoje, segundo o Vigitel 2024.
Dois anos de teste com a caneta emagrecedora
Perda de peso, qualidade de vida, exames clínicos, condições pós-operatórias e custo real dentro da estrutura pública. Esses são os indicadores que os pesquisadores vão acompanhar ao longo do estudo.
O perfil dos 250 pacientes selecionados reflete os casos que o SUS já atende sem o medicamento: 91% têm obesidade mórbida e a hipertensão arterial é a comorbidade mais frequente. Apenas 47% reúnem condições clínicas para cirurgia bariátrica.
Para participar, cada pessoa precisava ter diagnóstico há pelo menos 12 meses e falha documentada com dietas e exercícios regulares por no mínimo dois meses.
Os recursos da pesquisa vêm da fabricante do medicamento, repassados ao hospital via Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).