Os custos com cuidados de cães e gatos já pesam de forma significativa no orçamento das famílias brasileiras. É o que aponta uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Instituto Caramelo.
✅ Siga o nosso canal no WhatsApp
Segundo o levantamento, 56% dos tutores já deixaram de realizar algum cuidado com o animal por falta de dinheiro.
O cenário é ainda mais preocupante entre as famílias de classes C, D e E, grupo em que o percentual chega a 62%. Além disso, 14% dos entrevistados afirmam que já precisaram deixar de cuidar dos animais por dificuldades financeiras mais de uma vez.
Como os custos com cuidados pesam no orçamento das famílias
O levantamento mostra que 90% dos brasileiros percebem que manter um cão ou gato ficou mais caro nos últimos tempos. Entre quem tem animal de estimação em casa, 42% já enfrentaram dificuldade financeira por causa desses gastos, número que sobe para 47% entre as classes C, D e E.
Além disso, 59% dos tutores contam que já deixaram de comprar algum item para o pet, como ração, brinquedo ou remédio, por causa do preço.
Esses números mostram que o problema não afeta apenas famílias de baixa renda, embora o impacto seja proporcionalmente maior entre elas.
Com o custo de alimentação, consultas veterinárias e vacinas em alta, até tutores de classes mais altas relatam precisar rever o orçamento destinado ao cuidado dos animais.
A ligação entre custos com cuidados e o abandono
A pesquisa também traça uma ligação direta entre o aperto financeiro e o abandono de animais. Quase metade dos entrevistados, 48%, cita dificuldades financeiras como um dos fatores que levam ao abandono, e 72% concordam que o custo elevado está entre as principais razões para esse tipo de situação.
Outros 38% afirmam conhecer alguém que já abandonou ou entregou um animal justamente por não conseguir mais arcar com as despesas.
Esse cenário se soma a um problema que já é grande no país: estimativas de diferentes levantamentos indicam que o Brasil tem cerca de 30 milhões de animais em situação de rua, resultado de anos de reprodução descontrolada, falta de castração e abandono constante.
O trabalho das ONGs diante do problema
Diante desse cenário, o Instituto Caramelo tem atuado diretamente no resgate, na reabilitação e na busca por novos lares para animais que ficam desamparados.
Somente em 2025, a organização realizou 342 resgates, viabilizou 315 adoções e promoveu mais de 11 mil castrações, somando procedimentos internos, externos e ações em campanhas. Entre janeiro e julho de 2026, foram mais 185 resgates, 186 adoções e cerca de 5,7 mil castrações.
Para a entidade, quando uma família deixa de cuidar do pet por falta de dinheiro, o problema deixa de ser só financeiro e passa a envolver diretamente o bem-estar do animal, podendo terminar em abandono.
A avaliação é de que ampliar o acesso à castração gratuita e ao atendimento veterinário é essencial para que cuidar de um animal não se torne inviável para famílias de menor renda.
Cães e gatos em maioria nos lares brasileiros
A pesquisa mostra ainda que sete em cada dez brasileiros têm hoje algum animal de estimação em casa, sendo que cães estão presentes em 76% dos lares e gatos em 51%.
A maioria dos tutores, 91%, concorda que conviver com um pet traz benefícios para a saúde mental, o que ajuda a explicar por que mesmo famílias com orçamento apertado tentam manter os animais em casa mesmo diante das dificuldades financeiras.
Apesar da pressão nos custos, o levantamento mostra que a cultura da adoção segue forte no país: 85% dos entrevistados concordam que adotar é mais correto do que comprar, e 74% já tiveram ou têm atualmente um animal adotado.
Papel do poder público ainda é visto como insuficiente
Quando perguntados sobre quem mais contribui para a proteção animal no Brasil, 63% dos entrevistados apontam as ONGs, seguidas pelos protetores independentes, citados por 50%.
Prefeituras e órgãos públicos aparecem bem atrás, lembrados por apenas 25% das pessoas, enquanto 86% defendem que o poder público deveria investir mais na causa.
A avaliação de especialistas do setor é de que ONGs e protetores não podem seguir sozinhos como principal resposta a um problema desse tamanho, sendo necessárias políticas públicas permanentes de castração, atendimento veterinário, prevenção ao abandono e educação sobre a guarda responsável de animais.