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Greve dos bancários pode fechar agências dia 20

Assembleias em várias regiões já aprovaram a paralisação, mas negociação com a Fenaban ainda pode evitar o movimento

4 min de leitura
Profissionais de bancos representam a mobilização dos trabalhadores durante a greve dos bancários.
Fonte: Banco de Imagens/Canva

A greve dos bancários está marcada para esta quinta-feira (20) em todo o Brasil, e pode resultar no fechamento de agências no país inteiro. Assembleias realizadas em diferentes estados já aprovaram a paralisação de 24 horas, depois de a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na última rodada de negociação salarial.

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A mobilização faz parte da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. A pauta de reivindicações foi entregue à Fenaban em 24 de junho, antes do vencimento da Convenção Coletiva de Trabalho, previsto para 31 de agosto. Nesta terça-feira (18), o Comando Nacional dos Bancários volta a se reunir com os bancos em uma nova rodada de negociação, que ainda pode mudar o cenário e evitar a paralisação de quinta-feira.

Por que a greve dos bancários foi aprovada

O principal motivo da revolta da categoria foi a falta de uma proposta concreta de reajuste salarial depois de sete rodadas de negociação. Em vez de apresentar um índice, a Fenaban levou à mesa um modelo de reajuste diferenciado, dividindo os trabalhadores em três faixas salariais, sem informar os percentuais que seriam aplicados em cada uma delas. Os bancos também propuseram congelar o piso de ingresso para novos bancários.

Outro ponto que irritou a categoria foi a sugestão de reduzir o valor do vale-refeição e do vale-alimentação especificamente em cidades do interior, sob a justificativa de que essas localidades têm custo de vida menor. Diante dessa proposta, assembleias em diferentes estados rejeitaram o texto por ampla maioria: em São Paulo, a rejeição chegou a 97,66% dos votos, e em Pernambuco, a 98,69%.

Em Belo Horizonte, o sindicato da categoria realizou atos públicos e vem cobrando mudanças nas condições de trabalho, além de denunciar o fechamento de agências e a redução de postos no setor. Segundo a entidade, 42 agências foram fechadas na Grande BH nos 12 meses anteriores a julho, sendo 21 delas do Itaú. No interior do estado, sindicatos de outras regiões também têm acompanhado os impactos da redução da rede física dos bancos.

Além do aumento real dos salários, acima da inflação, os bancários pedem valorização do piso salarial, criação de um piso específico para trabalhadores de TI e recomposição do valor real dos vales alimentação e refeição. Segundo a Contraf, o vale-alimentação acumula perda de poder de compra de 13% entre 2019 e 2025, e o vale-refeição registrou queda de 3,7% só entre 2023 e 2025.

Para recuperar o valor que tinha em 2019, o vale-alimentação mensal precisaria subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73, o que representa um reajuste de aproximadamente 40%.

Disparidade salarial motiva a mobilização

Um dos argumentos usados pela categoria durante a negociação é a diferença entre os salários dos trabalhadores e dos executivos do setor. Segundo dados apresentados pela Contraf, a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados do país deve chegar a R$ 12,5 milhões em 2026, valor equivalente a cerca de 120 vezes a remuneração anual de um escriturário.

O setor também vem registrando lucros elevados: de acordo com o Banco Central, os bancos lucraram R$ 255 bilhões em 2025. Ainda segundo a Contraf, o lucro por empregado no setor bancário chegou a R$ 438 mil, valor bem acima do registrado em outras instituições financeiras, como cooperativas de crédito.

O que pode acontecer nas agências

Em 2025, as agências bancárias do país realizaram 7,2 bilhões de transações, uma média de 28,6 milhões de atendimentos por dia útil, segundo levantamento da Contraf. Caso a paralisação de quinta-feira se confirme, esse volume de atendimento presencial pode ficar comprometido em diversas cidades, especialmente em serviços que dependem de atendimento humano nas agências.

A decisão final sobre a paralisação depende do resultado da negociação desta terça-feira entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban. Caso os bancos apresentem uma proposta considerada satisfatória pela categoria, a greve pode ser suspensa. Se o impasse continuar, a expectativa é que a mobilização de quinta-feira (20) aconteça em bases espalhadas por todo o país, seguindo o que já foi aprovado nas assembleias regionais.

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