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Impacto das pipas na energia afeta 313 mil em Minas

Cemig registrou 1.260 ocorrências entre janeiro e junho deste ano; número é menor que o do ano passado, mas ainda preocupa

3 min de leitura
Pipa no céu representa o impacto das pipas na energia elétrica em Minas Gerais.
Fonte: Banco de Imagens/Canva

O impacto das pipas na energia continua sendo um problema sério em Minas Gerais. Entre janeiro e junho deste ano, a Cemig registrou 1.260 ocorrências causadas por pipas na rede elétrica, que deixaram 313.224 clientes sem energia em algum momento no estado. O problema se repete todos os anos, principalmente durante as férias escolares e os períodos de vento mais forte, quando a prática de empinar pipas fica mais comum.

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Na Região Leste de Minas, foram 66 ocorrências, que interromperam o fornecimento para quase 19.253 consumidores. Apesar do número ainda alto, os dados de 2026 representam uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, quando a Cemig contabilizou 1.338 ocorrências em todo o estado, afetando cerca de 398 mil clientes. Só no Leste mineiro, foram 78 interrupções em 2025, com prejuízo para pouco mais de 20 mil consumidores.

Como as pipas causam esse impacto na energia elétrica

Segundo a Cemig, a maior parte dessas ocorrências poderia ser evitada com cuidados simples. Quando a linha da pipa encosta nos cabos de energia, pode provocar curto-circuito, desligamento automático do sistema e até acidentes graves, colocando em risco tanto quem está brincando quanto outras pessoas por perto.

Esse desligamento automático é uma medida de segurança da própria rede elétrica: ao identificar uma variação brusca causada pelo contato da linha com os fios, o sistema interrompe o fornecimento imediatamente para evitar incêndios e choques elétricos em maior escala. É justamente esse mecanismo de proteção que, ao ser acionado repetidas vezes por causa de pipas, resulta no número expressivo de clientes afetados registrado pela companhia.

A Cemig orienta que pipas sejam empinadas apenas em locais abertos, bem afastados da rede elétrica, como praças e campos, longe de postes e fiação. A companhia também reforça que ninguém deve tentar retirar uma pipa presa em fios ou postes de energia, já que essa atitude pode causar acidentes graves e até fatais. Nesses casos, o procedimento indicado é acionar a concessionária de energia para que uma equipe técnica faça a retirada com segurança.

Cerol e linha chilena aumentam o risco de acidentes

Além do problema com o fornecimento de energia, o uso de cerol e de linha chilena torna a brincadeira ainda mais perigosa. Esses materiais têm alta capacidade de corte e, quando entram em contato com a rede elétrica, o cerol pode se transformar em um condutor de eletricidade, aumentando o risco de choques.

Essas linhas colocam em risco não só quem está empinando a pipa, mas também ciclistas, motociclistas e pedestres que passam pelas ruas. Casos de cortes profundos causados por linhas com cerol já provocaram ferimentos graves em motociclistas em diferentes cidades do país, principalmente quando a linha atravessa vias públicas em alturas próximas ao rosto e ao pescoço de quem está passando.

Em Minas Gerais, a venda e o uso de cerol e linha chilena são proibidos pela Lei Estadual nº 23.515/2019, com multas que vão de cerca de R$ 5,7 mil a mais de R$ 289 mil em casos de reincidência. A fiscalização cabe aos órgãos estaduais de defesa do consumidor e às polícias civil e militar, que podem autuar tanto quem vende quanto quem utiliza esses materiais.

Mesmo com a redução registrada neste ano, a Cemig reforça que o impacto das pipas na energia segue entre as principais causas de interrupção no fornecimento durante o período de férias, o que exige atenção redobrada de quem participa dessa brincadeira tão comum entre crianças e adultos em todo o estado.

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