O bairro Dom Bosco, na Região Oeste de Juiz de Fora, está sendo transformado em um “museu a céu aberto” por meio do Museu de Território Dom Bosco, iniciativa que une moradores e pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para preservar a memória, a cultura e a identidade da comunidade. Diferentemente dos museus tradicionais, o projeto tem como acervo o próprio território, reunindo ruas, escadões, bicas d’água, casas e histórias construídas ao longo de décadas pelos moradores.
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Desenvolvido como projeto de extensão da Faculdade de Turismo da UFJF, o Museu de Território Dom Bosco busca registrar o patrimônio material e imaterial do bairro por meio de um inventário coletivo, além de incentivar reflexões sobre direito à cidade, justiça ambiental e valorização das periferias.
Museu de Território Dom Bosco transforma o bairro em patrimônio vivo
A proposta rompe com o conceito tradicional de museu. Em vez de um edifício com peças expostas, o território passa a ser o próprio espaço de preservação da memória. Os moradores assumem o papel de curadores e mediadores, compartilhando histórias, costumes, referências culturais e locais que marcaram a formação da comunidade.
O levantamento é realizado em parceria com os cursos de Turismo, História e Arquitetura da UFJF e contempla elementos que ajudam a compreender a ocupação do bairro e sua evolução ao longo do tempo.
Segundo a moradora Eliana das Neves Pereira, conhecida como Doca, a iniciativa fortalece o sentimento de pertencimento, conforme ela revelou para o G1.
“A gente aprendeu muita coisa com os avós e com a mãe da gente. Esse museu veio para guardar isso. As crianças vão poder conhecer a história da comunidade e entender como tudo foi construído.”
Projeto mapeia cultura, memória e identidade da comunidade
Nesta etapa atual, o projeto do Museu de Território Dom Bosco concentra esforços no inventário das práticas culturais e dos espaços considerados fundamentais para a identidade local.
O mapeamento já avançou nas áreas do Chapadão e do Morro dos Cabritos e deverá ser ampliado, nos próximos meses, para as regiões da Grota e do 511. Além de registrar aspectos históricos, o projeto também aborda temas como racismo ambiental, gentrificação, desigualdade urbana e a ausência de políticas públicas, reconhecendo o protagonismo da população na construção do território.
A metodologia adotada tem como referência experiências consolidadas de museus de território no Brasil, como o Museu da Maré e o Museu das Remoções, no Rio de Janeiro, e o Muquifu, em Belo Horizonte.
Tour apresenta os principais pontos históricos do bairro
Como parte das atividades, o projeto já promoveu o primeiro roteiro guiado pelo bairro em junho deste ano. O percurso levou visitantes por locais que representam diferentes momentos da história do Dom Bosco e da ocupação da região.
O trajeto inclui o Conjunto Santo Agostinho, a Casa do Sr. Juca, áreas atingidas pelas fortes chuvas registradas neste ano, a escultura de Nossa Senhora das Graças — conhecida pelos moradores como Santinha —, além de escadões, bicas, poços e nascentes que marcaram o desenvolvimento da comunidade.
A chamada “rota das águas” também integra o circuito e evidencia a importância desses espaços para a vida cotidiana dos moradores. Ao reunir memória, patrimônio e participação popular, o Museu de Território Dom Bosco busca consolidar o bairro como um patrimônio cultural vivo de Juiz de Fora e ampliar o reconhecimento da história construída por sua própria população.