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Novo contorno ferroviário em Montes Claros pode transformar trilhos no centro em avenida

FÍDMOC quer construir contorno ferroviário fora do perímetro urbano e transformar os trilhos atuais em uma grande avenida; estimativa de investimento ultrapassa R$ 1 bilhão

4 min de leitura
Fórum independente propõe novo contorno ferroviário em Montes Claros | Foto: Reprodução/Câmara de Montes Claros

Um grupo de lideranças de diferentes setores da sociedade de Montes Claros lançou, nesta terça-feira (23/6), um movimento organizado para defender a construção de um contorno ferroviário que desvie os trilhos da área urbana e permita criar um grande corredor de mobilidade no espaço hoje ocupado pela ferrovia. A iniciativa marcou também o lançamento do Fórum Independente de Desenvolvimento de Montes Claros (FÍDMOC), entidade que pretende coordenar esforços em prol de projetos estruturantes para o município.

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A proposta prevê a construção de um novo traçado para a linha férrea fora do perímetro urbano e a transformação dos atuais trilhos em uma ampla avenida, batizada provisoriamente de Avenida Senador Darcy Ribeiro.
A via serviria como novo eixo de desenvolvimento, interligando bairros, desafogando o trânsito e abrindo espaço para áreas verdes, ciclovias e novas frentes de ocupação comercial e residencial.

Por que o fórum defende o novo contorno ferroviário

De acordo com o FÍDMOC, a ferrovia teve papel fundamental no crescimento histórico de Montes Claros, impulsionando a economia local e conectando a cidade ao resto do país, mas com o tempo, tornou-se um obstáculo à mobilidade.
Hoje, a linha divide bairros, dificulta a travessia de pedestres e veículos e gera pontos de congestionamento em diversas regiões da cidade.

“Os trilhos foram essenciais para o progresso, mas Montes Claros cresceu e hoje essa estrutura acaba fragmentando o tecido urbano e criando barreiras para a integração entre as regiões”, afirmou o Dr. Humberto Plínio Ribeiro, um dos idealizadores do movimento, durante o lançamento.

O presidente do FÍDMOC, Plínio Ribeiro, filho do médico, ressaltou que a discussão sobre a retirada dos trilhos não é nova em Montes Claros, mas que agora há uma tentativa de dar organicidade à ideia e transformá-la em uma pauta concreta.

“O que queremos é mobilizar a população para demonstrar apoio ao projeto e sensibilizar os representantes políticos. Esse não pode ser um assunto de gabinete; precisa ser uma causa da sociedade”, afirmou.

O que o corredor poderia virar

Durante a apresentação da proposta, foi exibido um vídeo ilustrativo com simulações de como o espaço atualmente ocupado pela ferrovia poderia ser ocupado após a construção do contorno ferroviário: pistas largas para veículos, faixas exclusivas para ônibus, ciclovias, calçadas arborizadas e áreas de convivência.

O material buscou dar materialidade à proposta e mostrar o potencial de transformação urbana que a obra representaria para a qualidade de vida dos montes-clarenses. O movimento citou como inspiração cidades como São Paulo, Recife e Curitiba, que já realizaram obras de remoção ou soterramento de linhas férreas em áreas urbanas, transformando antigos corredores em parques lineares, avenidas e complexos viários.

Quanto custaria o projeto e quais são os desafios

Os organizadores reconhecem que o caminho daqui para frente é longo. Ainda não há projeto executivo, estudo de viabilidade técnica ou orçamento detalhado. As estimativas iniciais, baseadas em projetos similares em outras cidades, indicam que o investimento para a construção do contorno ferroviário, a desativação da linha atual, a urbanização do corredor e as obras complementares pode ultrapassar R$ 1 bilhão.

O FÍDMOC pretende atrair para o grupo especialistas em mobilidade urbana, engenharia de transportes, planejamento territorial e economia, além de representantes do comércio, indústria, universidades e sociedade civil, para construir um diagnóstico técnico robusto e um plano de ação a ser apresentado aos governos municipal, estadual e federal. Os membros do grupo fazem questão de enfatizar que o fórum é apartidário e pretendem dialogar com representantes de diferentes correntes políticas, pois visam o futuro de Montes Claros, independentemente de que lado os parlamentares estejam.

Os membros do FÍDMOC fizeram questão de enfatizar que o movimento não tem vínculo partidário e que pretende dialogar com representantes de diferentes correntes políticas.

O movimento já recebeu manifestações de apoio da Associação Comercial e Empresarial de Montes Claros (ACIMC) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). Nos próximos dias, o FÍDMOC deve lançar uma campanha de mobilização digital, com petições online e materiais informativos para engajar a população.

“Queremos mostrar que não é um sonho de alguns, mas uma aspiração coletiva. Só com a força da sociedade conseguiremos convencer os governantes a abraçar essa causa”, concluiu Plínio Ribeiro.

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