O Ministério Público de Minas Gerais deflagrou na manhã desta quinta-feira (3) a Operação Contramão contra uma organização criminosa especializada em fraudes no pagamento do IPVA. O grupo usava sites falsos que reproduziam a identidade visual do portal oficial do Governo de Minas para desviar os pagamentos dos contribuintes via Pix para contas bancárias controladas pelos suspeitos. A investigação apura o desvio de R$ 1,7 milhão.
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A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11ª Promotoria de Justiça com atribuições no Combate ao Crime Organizado de BH.
Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão em municípios de Goiás, Maranhão e São Paulo. A operação resultou na prisão de 10 investigados.
Como o golpe funcionava
Os sites falsos utilizados na fraude reproduziam a identidade visual e o fluxo de pagamento do canal legítimo do governo e usavam domínios com termos como “gov”, “detran” e “minasgerais” para enganar os contribuintes.
Ao gerar o QR Code no site falso, a vítima transferia o valor do IPVA via Pix para empresas de fachada com nomes que simulavam arrecadação estatal, como “pagamentos de taxas”, “gestão de tarifas” e “administrativo veicular”.
As empresas eram abertas às vésperas do vencimento das parcelas e muitas delas funcionavam por menos de cinco meses antes de serem encerradas. Os recursos eram então fracionados entre contas pessoais em Goiás, Maranhão, São Paulo e no entorno do Distrito Federal. Há indícios de que o esquema está em operação desde 2024, repetindo o ciclo a cada vencimento do imposto.
O que foi apreendido na Operação Contramão
Além das 10 prisões, a Operação Contramão resultou na apreensão de aparelhos de telefonia celular, notebooks, pendrives, cartões bancários, 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.
O material será analisado e as buscas pelos investigados foragidos continuam. O processo tramita sob sigilo.
Como se proteger do golpe do IPVA
O MPMG orienta os contribuintes a adotarem os seguintes cuidados:
- Pague o IPVA exclusivamente pelos canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF/MG) e pela rede bancária conveniada;
- Desconfie de sites acessados por links patrocinados em buscadores ou enviados por WhatsApp, SMS e redes sociais;
- Antes de pagar, confirme o beneficiário do Pix: tributo estadual não tem como destinatário empresa privada de “gestão” ou “pagamento de taxas”;
- Verifique o endereço do site: domínios comerciais que misturam nomes de órgãos públicos são forte indicativo de fraude;
- Quem já pagou indevidamente deve registrar boletim de ocorrência, comunicar o banco imediatamente e acionar os canais de atendimento da SEF/MG.