Economia

PF investiga executivos do Itaú, Bradesco e Santander por fraude bilionária nas Americanas

Apuração faz parte da segunda fase da Operação Disclosure e já levou a nove mandados de busca e ao sequestro de bens que pode chegar a R$ 54 bilhões

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Fachada da Lojas Americanas. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Fachada da Lojas Americanas. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) passou a investigar a possível participação de executivos do Itaú, Bradesco e Santander no esquema de fraude contábil que levou as Lojas Americanas a revelar um rombo bilionário em seus balanços. A apuração integra a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada na quinta-feira (25/6), que ampliou o foco da investigação para além da antiga diretoria da varejista.

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Segundo a corporação, a nova etapa busca esclarecer se representantes das instituições financeiras tinham conhecimento das chamadas operações de “risco sacado”, modalidade em que um banco assume, junto a fornecedores, dívidas de uma empresa, e se esse mecanismo foi usado para mascarar o real nível de endividamento da companhia.

Quem são os investigados

Entre os alvos estão José de Castro Araújo Rudge e Gustavo Balassiano, ligados ao Itaú; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; e Alexandre Abdo e André Juaçaba de Almeida, do Santander. Dois deles são do Itaú, um já deixou a instituição em 2020, dois do Santander e um do Bradesco. A lista também inclui nomes de peso fora do setor bancário: Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da Americanas; Paulo Alberto Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann; Eduardo Saggioro, ex-conselheiro da varejista; e Sérgio Rial, que ocupou simultaneamente os cargos de ex-presidente do Santander e ex-CEO da própria Americanas.

Mandados e bloqueio de bens

A Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio também autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados que pode chegar a R$ 54 bilhões, quantia calculada com base em laudos técnicos que reavaliaram o tamanho do estrago. Para se ter ideia da escalada, em 2023, quando o escândalo veio à tona, o rombo era estimado em R$ 25 bilhões.

As duas frentes da investigação

As apurações se concentram em duas frentes. Além das operações de risco sacado, a PF investiga as Verbas de Propaganda Cooperada (VPC), contratos que, segundo a investigação, não tinham respaldo econômico real e teriam servido para inflar artificialmente os números da empresa.

O depoimento que mudou o rumo do caso

O avanço da investigação tem como pano de fundo um relato que redesenhou o alcance do inquérito. Em 2024, o ex-diretor financeiro da Americanas, Fábio Abrate, firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. Em depoimento, ele afirmou que instituições financeiras retiravam informações sobre operações de risco sacado de documentos relacionados aos balanços da companhia, depoimento que ajudou a ampliar o inquérito, antes restrito aos ex-executivos da varejista.

O que dizem os envolvidos

Os bancos negam qualquer irregularidade. Em nota, o Itaú afirmou que, embora não seja formalmente investigado, colabora com as autoridades desde 2023 e que documentos já apresentados à Justiça comprovam que a instituição recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços. O Santander disse estar ao lado das partes prejudicadas e segue colaborando com as apurações, enquanto o Bradesco informou apenas que acompanha o caso e está à disposição das autoridades.

A Americanas, por sua vez, esclareceu que não foi alvo de busca e apreensão na operação desta semana e reafirmou o compromisso de colaborar com as investigações em curso.

Um escândalo que já dura mais de três anos

O caso é tratado como uma das maiores fraudes contábeis da história do mercado financeiro brasileiro. Revelada em janeiro de 2023, a descoberta do rombo nos balanços levou a varejista à recuperação judicial e abriu frentes de investigação na própria PF, no Ministério Público Federal e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que seguem em andamento até hoje.

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