A parceria entre Pix e TIPS deu seu primeiro passo formal nesta semana. O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram a avaliação da viabilidade de interligar o Pix ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), a infraestrutura europeia de liquidação instantânea de pagamentos.
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O objetivo é tornar as transações entre Brasil e países da área do euro mais rápidas, baratas e acessíveis.
A iniciativa reflete o peso que os pagamentos digitais instantâneos ganharam nos últimos anos em escala global, além do reconhecimento internacional do Pix como uma das infraestruturas desse tipo mais bem-sucedidas do mundo.
Administrado pelo BC, o sistema processa cerca de 250 milhões de transações por dia, com liquidação em tempo real diretamente em moeda de banco central.
Como funciona o TIPS na Europa?
O TIPS foi desenvolvido pelo Eurosistema, conjunto formado pelo BCE e pelos bancos centrais dos países que adotam o euro, para permitir a liquidação imediata de pagamentos.
Atualmente, o sistema opera com três moedas: o euro, a coroa sueca e a coroa dinamarquesa, cobrindo parte relevante das transações instantâneas do continente europeu.
Além da eventual conexão com o Pix, o TIPS já integra outras iniciativas de conexão internacional lideradas pelo Eurosistema, como aproximações com o Nexus Global Payments, com o sistema indiano de pagamentos instantâneos (UPI) e com a infraestrutura instantânea da Suíça.
A avaliação com o Brasil se soma a essa estratégia mais ampla de interoperabilidade entre sistemas de pagamento de diferentes países.
O que muda para remessas e compras internacionais
Segundo o Banco Central, uma eventual integração entre Pix e TIPS permitiria que remessas internacionais e compras entre Brasil e Europa fossem liquidadas em moeda local em questão de segundos.
Isso representaria uma mudança significativa em relação ao modelo tradicional de transferências internacionais, que costuma envolver mais etapas, prazos maiores e custos mais altos.
A expectativa do Banco Central é que a interconexão de sistemas de pagamentos instantâneos reduza custos, aumente a velocidade das transações e amplie o acesso a serviços financeiros para pessoas e empresas dos dois lados do Atlântico.
O projeto também é apontado como parte da estratégia brasileira de conectar o Pix a outras infraestruturas multilaterais, e não apenas à europeia.
Contexto econômico entre Brasil e Europa
A aproximação entre as duas infraestruturas de pagamento ocorre em um momento de intensificação dos fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e os países da área do euro.
Esse movimento deve ganhar reforço adicional com o Acordo de Parceria firmado entre o Mercosul e a União Europeia, que amplia as relações comerciais entre os blocos.
Nesse cenário, a conexão entre Pix e TIPS é apresentada pelo Banco Central como uma forma de acompanhar o crescimento dessas trocas econômicas com uma infraestrutura de pagamentos compatível com o volume e a velocidade exigidos pelo comércio internacional atual.
Próximos passos do projeto
Por enquanto, a iniciativa está na fase de avaliação de viabilidade, conduzida em conjunto pelo Banco Central do Brasil e pelo Banco Central Europeu.
Não há, até o momento, cronograma definido para a conclusão dos estudos nem data prevista para uma eventual implementação da conexão entre os dois sistemas.
O avanço do projeto vai depender dos resultados técnicos dessa avaliação conjunta, que deve considerar aspectos como segurança, regulação e compatibilidade entre as moedas envolvidas.
Caso seja aprovada, a interligação entre Pix e TIPS se tornaria um dos primeiros exemplos de conexão direta entre uma infraestrutura de pagamentos instantâneos da América Latina e outra do continente europeu.