A produção de café em Minas Gerais deve crescer 32,5% na safra de 2026, atingindo 33,4 milhões de sacas de café arábica, segundo a primeira Pesquisa Safra Café, divulgada pelo Sistema Faemg Senar.
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O levantamento é considerado o maior já feito sobre a colheita cafeeira no estado, maior produtor do país.
Os dados foram coletados em 5.155 propriedades rurais, distribuídas em 269 municípios das quatro regiões cafeeiras mineiras, cobrindo cerca de 90% da produção estadual de café arábica.
O Sul de Minas concentra a maior fatia da colheita, com cerca de 16 milhões de sacas, seguido pelas regiões de Montanhas, Cerrado e Chapada de Minas.
Por que a safra deste ano é tão maior
O crescimento de 32,5% foi calculado a partir da comparação com a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de 2025, já que essa é a primeira edição da pesquisa da Faemg Senar e ainda não existe uma série histórica própria para comparações mais longas.
O levantamento reúne informações sobre área cultivada, produtividade, ritmo da colheita, volume já produzido e condições climáticas e fitossanitárias enfrentadas pelos cafeicultores.
O aumento de produção também chega em um momento de recuperação depois de anos marcados por instabilidade climática, com ondas de calor e chuvas irregulares afetando as lavouras.
Apesar dos desafios enfrentados nos últimos ciclos, o volume projetado para 2026 sinaliza uma retomada consistente da oferta de café arábica no estado.
Preços mais baixos e mudança no consumo
O aumento da oferta já vem reduzindo o preço do café. O quilo do produto, que chegou a custar entre R$ 60 e R$ 80 em meados de 2025, já é encontrado por menos de R$ 30 nas prateleiras, uma queda de cerca de 25%.
A expectativa do setor é que os preços fiquem ainda mais competitivos ao longo do ano, o que já vem estimulando o consumo.
Ao mesmo tempo, o perfil de quem compra café também está mudando. O mercado de cafés especiais cresce cerca de 15% ao ano, ritmo bem mais acelerado que os 2% a 2,5% do café comercial tradicional.
Esse crescimento é puxado principalmente por consumidores mais jovens, que buscam produtos com mais qualidade, rastreabilidade e diferentes formas de preparo, e não apenas o preço mais baixo.
Café ganha novo status entre os consumidores
Esse movimento também é influenciado pela redução no consumo de álcool e açúcar entre parte da população, o que tem dado ao café um papel de bebida de convivência e até de suplemento natural no dia a dia.
Para o setor, o café deixou de ser apenas uma commodity para se tornar, cada vez mais, um produto associado a experiência e identidade.
A tendência aparece com força entre os jovens, que passaram a valorizar a origem dos grãos, certificações e diferentes métodos de preparo como parte da experiência de tomar café.
Esse novo comportamento tem levado bares, cafeterias e a própria indústria a investir em opções mais elaboradas para acompanhar essa demanda crescente por qualidade.
Investimentos em produtividade no campo
Para sustentar o crescimento da produção sem perder qualidade, iniciativas como o Projeto IndustriAgro, do Sebrae Minas em parceria com o Senai e cooperativas do setor, atuam diretamente com produtores rurais.
O projeto mapeia processos tecnológicos usados na manutenção de máquinas agrícolas e sistemas de irrigação, além de oferecer consultorias especializadas para aumentar a eficiência das propriedades.
Entre as ações previstas estão capacitações individualizadas nas fazendas sobre boas práticas operacionais, auditorias de manutenção e diagnósticos que ajudam a reduzir custos e melhorar o uso do solo.
Esse tipo de suporte técnico é apontado pelo setor cafeeiro como fundamental para que o aumento de volume da safra continue vindo acompanhado de qualidade, especialmente diante da demanda mais exigente dos novos consumidores.