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Câmara avança com a proibição dos cigarros eletrônicos

Projeto de Lei 2005/26 endurece regras contra vapes e cria responsabilidade para redes sociais que hospedarem anúncios ilegais.

4 min de leitura
Homem fumando cigarro eletrônico, representando a necessidade da proibição dos cigarros eletrônicos.
Foto: Sarah Johnson/Pixabay

A proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil pode ganhar novas regras. A Câmara dos Deputados começou a analisar o Projeto de Lei 2005/26, que amplia as restrições à fabricação, importação, comercialização, transporte, armazenamento e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo vapes e produtos de tabaco aquecido.

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Apesar de a venda desses produtos já ser proibida no país há mais de 15 anos, o projeto busca atualizar a legislação e estabelecer regras específicas para a comercialização e o uso desses dispositivos.

O texto também prevê medidas relacionadas à publicidade e à venda para menores de 18 anos.

Cigarro eletrônico já é proibido no Brasil desde 2009

Diferentemente do que muita gente imagina, a venda de cigarros eletrônicos já é proibida no Brasil desde 2009, por meio de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A restrição abrange dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo os vapes e produtos de tabaco aquecido.

Mesmo com a proibição em vigor, esses produtos continuam sendo comercializados de forma ilegal, inclusive pela internet.

Redes sociais e aplicativos de entrega podem ser utilizados para oferecer os dispositivos, o que dificulta a fiscalização pelas autoridades.

Segundo levantamento citado na proposta, o número de brasileiros que declararam já ter usado cigarro eletrônico passou de 500 mil, em 2018, para 2,2 milhões, em 2022.

O crescimento do número de pessoas que tiveram contato com esses produtos é um dos fatores que mantém o tema no centro das discussões sobre saúde pública.

O que muda com o novo projeto de lei de proibição dos cigarros eletrônicos

O Projeto de Lei 2005/26 atualiza a Lei Antifumo, de 1996, e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Entre as medidas previstas está a proibição expressa da venda, entrega e publicidade de dispositivos eletrônicos para fumar para pessoas com menos de 18 anos.

A proposta também estabelece restrições ao uso dos aparelhos em ambientes coletivos fechados, sejam eles públicos ou privados. A regra segue a lógica adotada para o cigarro convencional, que não pode ser utilizado em determinados espaços fechados de uso coletivo.

Outro ponto do texto envolve plataformas digitais, redes sociais e aplicativos. O projeto prevê a responsabilização dessas empresas pela remoção de conteúdos relacionados à comercialização ilegal dos dispositivos.

Na prática, a medida busca dificultar a divulgação e a venda de cigarros eletrônicos pela internet, especialmente anúncios e conteúdos direcionados ao público jovem.

Cigarros eletrônicos podem causar dependência e riscos à saúde

Os cigarros eletrônicos funcionam por meio de uma bateria que aquece um líquido e produz um aerossol inalado pelo usuário. Esses líquidos podem conter nicotina, substância que causa dependência.

A preocupação das autoridades de saúde também está relacionada aos possíveis impactos do uso dos dispositivos sobre o organismo.

A Anvisa alerta para riscos associados aos cigarros eletrônicos e destaca que ainda existem efeitos de longo prazo que precisam ser melhor compreendidos.

O público jovem está entre os principais focos da discussão. Sabores, formatos e diferentes modelos de dispositivos podem facilitar o contato de adolescentes com produtos que contêm nicotina, aumentando o risco de dependência.

Por isso, o projeto estabelece regras específicas para impedir a venda e a entrega desses produtos a menores de 18 anos.

Quais são os próximos passos do projeto

O Projeto de Lei 2005/26 ainda precisa passar por diferentes etapas antes de chegar a uma eventual votação no Plenário da Câmara.

A proposta deverá ser analisada pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; de Saúde; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Durante a tramitação, os deputados podem apresentar mudanças no texto. Por isso, o conteúdo aprovado ao final da análise na Câmara ainda pode ser diferente da versão apresentada inicialmente.

Caso seja aprovado pelos deputados, o projeto seguirá para o Senado Federal. Se também passar pelos senadores, ainda dependerá da sanção presidencial para se transformar em lei.

O que acontece se a proposta for aprovada?

Se o projeto avançar, as regras para os cigarros eletrônicos passarão a ser tratadas de forma mais específica na legislação brasileira.

Além das restrições já existentes, o texto estabelece medidas relacionadas à proteção de menores de 18 anos, ao uso dos dispositivos em ambientes fechados e à comercialização pela internet.

A proposta também busca envolver plataformas digitais na retirada de conteúdos relacionados à venda ilegal. Com isso, o objetivo é ampliar os mecanismos de fiscalização e dificultar a oferta desses produtos por canais digitais.

Até que o projeto conclua sua tramitação, a venda de cigarros eletrônicos continua proibida no Brasil conforme as regras atualmente estabelecidas pela Anvisa.

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