Fiéis e moradores do distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, puderam participar, nesta terça-feira (07/07), da primeira missa celebrada na Matriz de São Bartolomeu após sete anos de espera. A igreja, uma das mais antigas do estado, estava interditada desde fevereiro de 2019 por risco estrutural e passou por uma ampla restauração que custou R$ 7,6 milhões.
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Construída na primeira metade do século 18 e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na década de 1960, a Matriz de São Bartolomeu é considerada um dos mais importantes patrimônios religiosos e culturais de Minas Gerais.
Como foi o processo de restauração da Matriz de São Bartolomeu
As obras foram executadas em três etapas e viabilizadas por meio da Plataforma Semente, iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que apoia projetos voltados à preservação do patrimônio histórico e cultural.
Os recursos, de R$ 7,6 milhões, originaram-se principalmente de multas aplicadas por desrespeito ao patrimônio histórico, e as obras foram executadas pela empresa Joaquim Artes e Ofícios.
A primeira etapa foi emergencial, para recuperar a infraestrutura, estabilizando a edificação, visto que 70% dos contraventamentos, responsáveis por manter a estrutura da Matriz de São Bartolomeu em pé, estavam comprometidos.
As demais obras foram dedicadas à recuperação de infiltrações, restauração de elementos arquitetônicos e ao resgate de pinturas originais do templo, algumas escondidas nos altares e no forro.
Imagens sacras devolvidas, incluindo obra do Aleijadinho
Em junho deste ano, a comunidade celebrou o retorno de 11 imagens sacras restauradas pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop). Entre as peças devolvidas, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Carmo, datada do século 18 e atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
O conjunto inclui, ainda, esculturas de São João Nepomuceno, Santa Efigênia, Sant’Ana, Nossa Senhora do Pilar, São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, um Crucificado e um Divino Espírito Santo. Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, a devolução das peças representa o resgate da memória e da identidade cultural da localidade.
Um templo único no Brasil
A cerimônia de reabertura contou com a presença do procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, e de outras autoridades ligadas à defesa do patrimônio cultural.
Além da riqueza arquitetônica e das obras de arte que abriga, a Matriz de São Bartolomeu é conhecida por guardar o Sino da Brasileira, considerado único no Brasil. Com a reabertura, o templo volta a receber celebrações religiosas e poderá ser visitado por moradores e turistas.