A Johnson & Johnson (J&J) propôs na segunda-feira (27/7) pagar até R$ 28 bilhões para encerrar, nos Estados Unidos, os processos do talco Johnson vinculados ao câncer de ovário. O pacote cobre aproximadamente 76 mil casos pendentes.
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Para o acordo se concretizar, é necessário que os advogados de ao menos 95% dos autores das ações assinem a adesão.
Os processos do talco Johnson
As primeiras ações relacionando o talco Johnson ao câncer de ovário foram abertas em 2009. A tese das vítimas é que o produto continha traços de amianto, mineral cancerígeno que ocorre naturalmente próximo às jazidas de talco e pode contaminar o produto durante a extração.
A empresa retirou o talco para bebês feito com talco mineral dos mercados em 2023 e adotou matéria-prima à base de amido de milho, mas classificou a mudança como decisão comercial, sem relação com a segurança do produto.
J&J nega relação entre talco e câncer
A companhia rebate as alegações e sustenta que seus produtos não possuem a substância. Erik Haas, vice-presidente de litígios da J&J, classificou as acusações como “infundadas” em declaração divulgada pela empresa. Segundo ele, estudos científicos e revisões regulatórias não identificaram evidências de relação entre o talco cosmético e a doença.
Primeiro pagamento só em 2027
O cronograma prevê um primeiro desembolso de até US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões) em 2027. As parcelas seguintes começariam a ser quitadas em 2028.
A empresa também é alvo de ações por mesotelioma, outro tipo de câncer ligado ao amianto, mas que afeta o revestimento dos pulmões e outros órgãos. Embora a origem das alegações seja a mesma, esses processos serão tratados fora do acordo anunciado na segunda-feira.
No Reino Unido, a companhia enfrenta uma ação aberta em 2025, na qual quase 3.000 autores pedem indenização superior a 1 bilhão de libras, equivalente a cerca de R$ 6,65 bilhões.