O faturamento do turismo no Brasil bateu recorde em 2026 e pode se aproximar de R$ 300 bilhões até dezembro. Entre janeiro e julho, o setor movimentou R$ 168,8 bilhões, crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Em Minas Gerais, porém, os indicadores apontam um cenário diferente. O volume das atividades turísticas no estado caiu 5,1% no primeiro semestre de 2026, na comparação com os seis primeiros meses do ano anterior, conforme dados do IBGE divulgados pela Agência Gov. O resultado mostra que o avanço nacional não se refletiu de maneira uniforme entre os estados.
Turismo brasileiro acumula recordes em 2026
O desempenho nacional foi impulsionado pelo crescimento de diferentes atividades ligadas ao turismo, como transporte aéreo de passageiros, hospedagem, alimentação e serviços relacionados às viagens. No acumulado de janeiro a julho, o faturamento chegou a R$ 168,8 bilhões, o maior valor já registrado para esse período, segundo a FecomercioSP.
Em julho, o transporte aéreo de passageiros liderou o faturamento entre as atividades acompanhadas, com R$ 8,1 bilhões. A demanda por voos domésticos cresceu 4%, enquanto o número de passageiros avançou 2,4%.
Os meios de hospedagem também tiveram participação relevante, com faturamento de aproximadamente R$ 5,6 bilhões no mês, embora o valor tenha recuado 1,4% em relação a julho de 2025.
Para o fechamento do ano, a projeção da FecomercioSP é de crescimento de 4% no faturamento do turismo, com a receita total próxima de R$ 300 bilhões. A estimativa considera a continuidade da demanda por viagens de lazer e corporativas.
Turismo em Minas Gerais registra queda no semestre
Apesar do crescimento nacional no faturamento, Minas Gerais apresentou retração de 5,1% no volume das atividades turísticas entre janeiro e junho de 2026, em comparação com o mesmo intervalo de 2025. O dado faz parte da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, divulgada pela Agência Gov.
No mesmo período, o índice nacional de atividades turísticas apresentou queda de 0,9%. Alguns estados, por outro lado, registraram crescimento.
O Rio de Janeiro teve alta de 5,4% no acumulado do semestre, enquanto Bahia e Espírito Santo também apresentaram resultados positivos.
Os indicadores medem o volume das atividades turísticas, e não o faturamento nominal total do setor. Por isso, a queda em Minas Gerais não significa, necessariamente, que todas as empresas turísticas do estado tiveram redução de receita. Ainda assim, o dado aponta uma retração da atividade na comparação anual.
Turismo e cultura movimentam a economia mineira
Mesmo com a queda registrada no volume de atividades turísticas no primeiro semestre, o setor tem peso relevante na economia de Minas Gerais. Segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), o turismo responde por quase 7% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Em balanço divulgado em julho de 2026, a secretaria estimou que turismo e cultura, considerados em conjunto, movimentam mais de R$ 94 bilhões e somam mais de 809 mil empregos formais no estado.
O cálculo reúne atividades de diferentes segmentos, incluindo hospedagem, alimentação, transporte, eventos, patrimônio histórico, museus e produção cultural.
Minas Gerais recebeu mais de 32 milhões de turistas em 2024, segundo os dados apresentados pela Secult-MG. Cidades históricas, gastronomia, turismo religioso, festas tradicionais e destinos de natureza integram a oferta turística do estado.
Essas atividades distribuem o impacto econômico para além dos hotéis e das atrações turísticas. Restaurantes, bares, guias, transportadores, comerciantes e pequenos empreendedores também podem ser beneficiados pela circulação de visitantes.
O que os dados indicam para o turismo em Minas Gerais
A comparação entre os indicadores nacionais e estaduais mostra que o crescimento do faturamento brasileiro não significa uma expansão uniforme do turismo em todas as regiões.
Enquanto o levantamento da FecomercioSP registra alta na receita nacional, os dados do IBGE apontam redução no volume de atividades turísticas em Minas Gerais no primeiro semestre.
Os números também utilizam períodos e metodologias diferentes: o faturamento nacional divulgado pela FecomercioSP considera janeiro a julho, enquanto o recorte estadual citado pelo IBGE corresponde a janeiro a junho.
Por isso, os resultados ajudam a contextualizar o setor, mas não devem ser tratados como medidas diretamente equivalentes.
Com a previsão de que o turismo brasileiro se aproxime de R$ 300 bilhões em faturamento em 2026, os próximos indicadores permitirão acompanhar se Minas Gerais recuperará o volume de atividades e como os diferentes segmentos do setor se comportarão até o fim do ano.