Gol entra com pedido de recuperação judicial nos EUA

A decisão era esperada por investidores após notícias recentes na mídia

25 de janeiro de 2024 às 18h38

img
Crédito: REUTERS/Diego Vara

São Paulo – A Gol anunciou nesta quinta-feira que a companhia aérea e as suas subsidiárias estão entrando com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos para fortalecer sua posição financeira, acrescentando que todos os voos estão operando conforme programado e todas as passagens e reservas permanecem em vigor.

A empresa também informou que inicia o processo legal nos EUA, conhecido como “Chapter 11”, com um compromisso de financiamento de US$ 950 milhões, na modalidade “debtor in possession” (DIP) por membros do Grupo Ad Hoc de bondholders da Abra – holding que reúne as operações da Gol com a colombiana Avianca – e outros bondholders da Abra.

A decisão era esperada por investidores após notícias recentes na mídia, enquanto a Gol afirmou na semana passada que estava discutindo com stakeholders financeiros sobre como chegar a uma reestruturação “consensual”, uma vez que tem enfrentado dívidas elevadas. No mês passado, a empresa contratou a Seabury Capital para uma revisão da estrutura de capital.

Por volta de 17:30, as ações da Gol recuavam 2,26%, a R$ 6,50, na B3. Antes de ter as negociações suspensas em razão da divulgação de fato relevante sobre a recuperação judicial, a ação da Gol era negociada na mínima da sessão até aquele momento, a R$ 6,65, estável frente ao fechamento da véspera. Na máxima, registrada mais cedo, o papel chegou a ser negociado a R$ 6,97.

Com a decisão, a Gol é a mais recente companhia aérea latino-americana a pedir proteção contra a falência após uma crise relacionada com a pandemia, seguindo o caminho da sua empresa-irmã Avianca, da companhia aérea mexicana Aeromexico e da LATAM Airlines, com sede no Chile.

No fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia disse que buscará acesso ao financiamento de 950 milhões de dólares como parte da audiência do primeiro dia com o Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, prevista para os próximos dias.

De acordo com a empresa, o financiamento está sujeito à aprovação judicial e, juntamente com o caixa gerado pelas operações em curso, “fornecerá liquidez substancial para apoiar as operações, que seguem normalmente, durante o processo de reestruturação financeira”.

A Gol acrescentou que usará o “Chapter 11” para reestruturar suas obrigações financeiras de curto prazo e fortalecer sua estrutura de capital para ter sustentabilidade no longo prazo, e que espera sair dessa recuperação judicial com um investimento significativo de capital, “posicionando-a para expandir sua posição como companhia aérea líder na América Latina”.

Estimativas da Fitch mostraram em dezembro que a dívida total da Gol era de R$ 20,3 bilhões (US$ 4,12 bilhões), quase metade dos quais eram obrigações de leasing. Os vencimentos de curto prazo totalizaram R$ 3 bilhões, enquanto o caixa disponível estava em torno de R$ 905 milhões.

“Fizemos progressos notáveis até agora e acreditamos que este processo permitirá endereçar os desafios gerados pela pandemia, ao mesmo tempo em que mantemos o elevado padrão dos serviços que oferecemos aos clientes”, afirmou o CEO da companha, Celso Ferrer, no fato relevante.

Analistas de sell-side e agências de classificação dizem que a Gol tem números operacionais sólidos em meio à demanda saudável por viagens aéreas no Brasil, mas que as altas despesas com leasing e juros têm pressionado seu fluxo de caixa e afetado seu perfil de dívida.

Ela também enfrentou problemas de capacidade em meio a atrasos nas entregas de aeronaves da Boeing, que seu presidente-executivo disse ter impedido a empresa de crescer no ritmo que gostaria, e alta pressão de manutenção devido a problemas de fornecimento de motores.

A Gol detinha 33% de participação de mercado na indústria de aviação brasileira no ano passado, perdendo apenas para a LATAM Brasil, conforme definido pela receita de passageiros por quilômetro, que mede o tráfego. Foi a principal companhia aérea do Brasil de 2016 a 2020.

Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail