Uma operação de grandes proporções voltou a chamar atenção na Rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Uma supercarreta de 59 eixos, que transporta um transformador de 540 toneladas com destino à Arábia Saudita, realizou nesta segunda-feira (23) mais uma etapa do trajeto, acumulando cerca de R$ 2,6 mil em pedágios apenas neste trecho da viagem.
O deslocamento ocorreu entre Pindamonhangaba (km 101) e Roseira (km 78), no interior paulista.
O equipamento foi fabricado em Guarulhos (SP) e integra um lote de 14 transformadores encomendados para o projeto Neom, megainiciativa da Arábia Saudita que prevê a construção de uma cidade futurista movida a energia renovável no deserto.
Com 11 metros de comprimento e 6 metros de largura, o transformador exige um transporte extremamente cuidadoso. Apesar do tamanho, o equipamento é sensível internamente, demandando o que técnicos classificam como um verdadeiro “trabalho de relojoaria”.
Segundo estimativas técnicas, o conjunto dessas unidades teria potência suficiente para abastecer duas cidades do porte de São Paulo.

Pedágios e estrutura de apoio
No percurso entre Pindamonhangaba e Roseira, o custo estimado de pedágios — nos pátios de Arujá, Guararema, Jacareí, Moreira César e Itatiaia — chega a aproximadamente R$ 2.600.
Em outros trechos da operação, considerando mais de 50 eixos, o valor total pode atingir R$ 4,5 mil em tarifas.
A concessionária CCR RioSP, responsável pela Dutra, montou uma estrutura especial para a operação, que inclui:
- Guincho pesado e guincho leve
- Caminhão de apoio
- Moto de inspeção
- Duas viaturas de inspeção de tráfego
- Monitoramento pelo Centro de Controle Operacional
Além disso, uma equipe segue à frente da carreta realizando a limpeza da pista, enquanto outro grupo acompanha atrás para orientar o trânsito.
Interferências e restrições
A passagem foi planejada para a madrugada, a fim de reduzir o impacto aos cerca de 350 mil veículos que circulam diariamente pela Dutra. Ainda assim, houve atrasos causados por:
- Quebra de um dos cavalos mecânicos antes do acesso à rodovia;
- Restrições de circulação nos fins de semana;
- Necessidade de avaliações estruturais em pontes e viadutos.
Engenheiros monitoraram as chamadas “obras de arte” — como pontes e viadutos — antes e depois da travessia para garantir que não houve danos.
Segundo a CCR RioSP, caso as condições operacionais e de segurança permitam, a carga pode avançar até o km 35 da rodovia, decisão que é avaliada durante o próprio deslocamento.




