O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar tensão na América Latina ao pressionar publicamente pela saída do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, do cargo. A posição ocorre após a crise política envolvendo a Venezuela e marca uma nova escalada nas relações entre Washington e o governo cubano.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, autoridades norte-americanas teriam indicado em negociações com representantes cubanos que a renúncia de Díaz-Canel seria um dos objetivos centrais nas conversas bilaterais.
A tensão acontece em um momento delicado para Cuba. O país enfrentou recentemente um colapso total da rede elétrica nacional, que deixou grande parte da população sem energia.
A estatal Unión Nacional Eléctrica (UNE) confirmou o desligamento completo do sistema elétrico, afetando cerca de 10 milhões de habitantes. Parte da energia começou a ser restabelecida gradualmente, principalmente em hospitais e setores considerados essenciais.
Segundo o governo cubano, o país também enfrenta escassez de combustíveis, agravada após a interrupção de envios de petróleo da Venezuela.

Declarações aumentam pressão política
Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam intervir de alguma forma na ilha caribenha diante da fragilidade econômica e energética do país.
“Eu acho que posso fazer o que quiser com Cuba, para dizer a verdade. Eles estão muito enfraquecidos agora”, declarou o presidente norte-americano.
O mandatário também sugeriu a possibilidade de uma “tomada amigável” da ilha, embora não tenha detalhado como essa intervenção ocorreria.
A pressão sobre Cuba ocorre após a crise política envolvendo a Venezuela, onde Trump também havia defendido a saída do presidente Nicolás Maduro do poder.
A economia cubana tem forte dependência de combustíveis venezuelanos, e a interrupção desses envios aumentou as dificuldades energéticas no país. Nos últimos meses, a ilha registrou apagões frequentes e racionamento de energia, com impactos diretos na economia.
Governo cubano rejeita interferência
O presidente Miguel Díaz-Canel, que assumiu o cargo em 2018 após a era dos irmãos Fidel e Raúl Castro, afirmou que qualquer negociação com os Estados Unidos deve ocorrer com respeito à soberania e ao sistema político cubano.
Historicamente, Cuba rejeita qualquer tipo de interferência externa em seus assuntos internos, posição que permanece desde a Revolução Cubana de 1959.
Especialistas apontam que a escalada de declarações pode aumentar ainda mais a tensão diplomática entre os dois países, que já mantêm relações marcadas por décadas de embargos e disputas políticas.




