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Jogue fora o álcool em gel: uso excessivo pode criar superbactérias

Por Pedro Silvini
11/04/2026
Em Geral
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álcool em gel uso bactéria covid

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

O uso intensivo de álcool em gel e produtos desinfetantes, popularizado durante a pandemia de Covid-19, pode estar contribuindo para um problema silencioso e crescente: o surgimento de bactérias resistentes a tratamentos. O alerta faz parte de análises apoiadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificam a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças globais à saúde pública.

Segundo o relatório, em 2023, uma em cada seis infecções bacterianas no mundo já apresentava resistência a antibióticos. Entre 2018 e 2023, esse fenômeno aumentou em mais de 40% das combinações entre patógenos e medicamentos monitorados.

Embora o álcool em gel seja eficaz na prevenção de doenças infecciosas, o uso excessivo ou inadequado pode criar um ambiente propício para a adaptação de microrganismos.

Isso ocorre porque bactérias expostas repetidamente a substâncias antimicrobianas podem desenvolver mecanismos de defesa, tornando-se mais resistentes. Esse processo pode acontecer não apenas em hospitais, mas também em ambientes domésticos, na água e até no solo.

Especialistas explicam que o problema se agrava quando os produtos são utilizados de forma incorreta, como em concentrações inadequadas, diluição indevida ou uso irregular, o que favorece a sobrevivência das bactérias mais resistentes.

Impacto global e números preocupantes

A OMS estima que, em 2019, a resistência bacteriana foi responsável direta por 1,27 milhão de mortes no mundo e contribuiu para quase 5 milhões de óbitos.

Nos Estados Unidos, dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) apontam que cerca de 2,8 milhões de infecções resistentes a antibióticos ocorrem anualmente, com mais de 35 mil mortes associadas.

Além disso, pesquisas já indicam que algumas bactérias comuns em ambientes hospitalares estão se tornando menos sensíveis até mesmo a desinfetantes à base de álcool.

Uso consciente é a recomendação

Apesar do alerta, especialistas não recomendam abandonar o uso de álcool em gel, mas sim utilizá-lo de forma correta e equilibrada. A higiene das mãos continua sendo uma das principais medidas de prevenção contra infecções.

A orientação é seguir as instruções dos fabricantes, evitar misturas caseiras sem orientação e garantir o tempo adequado de fricção das mãos, geralmente entre 20 e 30 segundos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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