O uso intensivo de álcool em gel e produtos desinfetantes, popularizado durante a pandemia de Covid-19, pode estar contribuindo para um problema silencioso e crescente: o surgimento de bactérias resistentes a tratamentos. O alerta faz parte de análises apoiadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificam a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças globais à saúde pública.
Segundo o relatório, em 2023, uma em cada seis infecções bacterianas no mundo já apresentava resistência a antibióticos. Entre 2018 e 2023, esse fenômeno aumentou em mais de 40% das combinações entre patógenos e medicamentos monitorados.
Embora o álcool em gel seja eficaz na prevenção de doenças infecciosas, o uso excessivo ou inadequado pode criar um ambiente propício para a adaptação de microrganismos.
Isso ocorre porque bactérias expostas repetidamente a substâncias antimicrobianas podem desenvolver mecanismos de defesa, tornando-se mais resistentes. Esse processo pode acontecer não apenas em hospitais, mas também em ambientes domésticos, na água e até no solo.
Especialistas explicam que o problema se agrava quando os produtos são utilizados de forma incorreta, como em concentrações inadequadas, diluição indevida ou uso irregular, o que favorece a sobrevivência das bactérias mais resistentes.
Impacto global e números preocupantes
A OMS estima que, em 2019, a resistência bacteriana foi responsável direta por 1,27 milhão de mortes no mundo e contribuiu para quase 5 milhões de óbitos.
Nos Estados Unidos, dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) apontam que cerca de 2,8 milhões de infecções resistentes a antibióticos ocorrem anualmente, com mais de 35 mil mortes associadas.
Além disso, pesquisas já indicam que algumas bactérias comuns em ambientes hospitalares estão se tornando menos sensíveis até mesmo a desinfetantes à base de álcool.
Uso consciente é a recomendação
Apesar do alerta, especialistas não recomendam abandonar o uso de álcool em gel, mas sim utilizá-lo de forma correta e equilibrada. A higiene das mãos continua sendo uma das principais medidas de prevenção contra infecções.
A orientação é seguir as instruções dos fabricantes, evitar misturas caseiras sem orientação e garantir o tempo adequado de fricção das mãos, geralmente entre 20 e 30 segundos.




