A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (25) o registro de um novo medicamento para tratamento da enxaqueca no Brasil. O remédio, chamado Nurtec ODT, é produzido pela Pfizer e traz como principal diferencial a possibilidade de ser utilizado tanto durante as crises quanto na prevenção da doença em adultos.
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União e contempla comprimidos orodispersíveis de 75 mg, tecnologia que permite que o medicamento se dissolva diretamente na língua, sem necessidade de água.
O princípio ativo do remédio é o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, molécula pertencente à classe dos antagonistas do CGRP, proteína ligada à transmissão da dor e aos processos inflamatórios associados às crises de enxaqueca.
Segundo especialistas, o medicamento atua bloqueando a ação dessa proteína no cérebro, ajudando a interromper ou reduzir os sintomas.
O principal diferencial da medicação está justamente na combinação entre prevenção e tratamento agudo em um único comprimido oral. Diferentemente de outros bloqueadores de CGRP já disponíveis no país, em sua maioria injetáveis, o Nurtec ODT pode ser administrado de forma mais simples e prática.
Tecnologia dispensa água e facilita uso durante crises
Os comprimidos aprovados pela Anvisa utilizam tecnologia orodispersível, permitindo dissolução rápida na boca durante as crises.
De acordo com especialistas, essa característica pode facilitar o uso por pacientes que apresentam náuseas, vômitos ou desconforto gastrointestinal durante episódios intensos de enxaqueca.
Outro ponto destacado é que o medicamento não provoca vasoconstrição, efeito comum em alguns tratamentos tradicionais e que pode limitar o uso em pacientes com risco cardiovascular.
Estudos apontam melhora significativa dos sintomas
Um estudo de fase 3 publicado na revista científica The Lancet avaliou os efeitos do rimegepanto em adultos com histórico de enxaqueca.
Na pesquisa, pacientes receberam uma dose única de 75 mg durante crises moderadas ou graves. Após duas horas, 21% dos participantes tratados com o medicamento ficaram sem dor, contra 11% no grupo placebo.
Os resultados também mostraram melhora em sintomas considerados mais incômodos pelos pacientes, como náusea, sensibilidade à luz e sensibilidade ao som, em 35% dos casos tratados, frente a 27% no grupo placebo.
Entre os efeitos adversos mais relatados apareceram náusea e infecção urinária, ambos em baixa frequência. Segundo os pesquisadores, não foram registrados eventos graves relacionados ao medicamento.
A Anvisa aprovou apresentações do medicamento em cartelas com 2, 8 e 16 comprimidos de 75 mg. O registro concedido pela agência sanitária brasileira terá validade até maio de 2036.




