Você provavelmente conhece alguém (ou talvez você até seja essa pessoa) que acha que o cartão de crédito é o tapa-buraco perfeito para a vida financeira e que, parcelando em 12, 24, 36 vezes, você compra o que quiser, mesmo que esteja fora do orçamento. Mas cuidado: dados do Banco Central revelam os gastos com cartão de crédito consomem 54% do orçamento familiar, um aumento considerável em relação aos 38,5% registrados em 2020.
Outra mudança relevante é a composição desses gastos.
Em 2020, 23,5% da renda era para pagamentos à vista no cartão, 11,9% para compras parceladas sem juros e 3,1% para o pagamento de juros.
Em 2024, os pagamentos à vista subiram para 31%, as compras parceladas sem juros para 16,7% e os juros para 6,3%.
Por que gastos com cartão de crédito subiram nos últimos anos
Entrevistado pelo Bastidores CNN, o analista de Economia Fernando Nakagawa explicou que um dos fatores que contribui para esse aumento são os juros elevados. Quando o consumidor não paga a sua fatura inteira em um mês, a dívida é empurrada para o mês seguinte com juros do rotativo, que ultrapassam 400% ao ano, a maior taxa do sistema financeiro.
Outro fator, como aponta o analista, é a facilidade de obtenção de crédito no pós-pandemia, bastando ter um celular na mão e abrir uma conta em uma instituição digital, uma fintech, que já vem um cartão de crédito pré-aprovado. Essa facilidade fez muitas pessoas se empolgarem, abrirem novas contas e pegarem novos cartões, muitas vezes se empolgando ao ponto de começar a acumular dívidas.




