A China informou que o Brasil já atingiu 50% da cota anual de exportação de carne bovina com tarifa reduzida, aumentando a preocupação do agronegócio brasileiro com a possibilidade de um tarifaço de 55% sobre os embarques ao país asiático ainda em 2026.
O alerta foi divulgado pelo Ministério do Comércio chinês no último domingo (10). Segundo o comunicado oficial, a marca foi alcançada no sábado (9), dentro do mecanismo de salvaguarda criado pelo governo chinês no fim de 2025 para proteger a produção pecuária local.
Pelas regras do Anúncio nº 87 de 2025, quando as importações brasileiras atingirem 100% da cota estipulada, a carne bovina do Brasil deixará de pagar a tarifa atual de 12% e passará a sofrer uma alíquota de 55% a partir do terceiro dia subsequente.
O limite anual estabelecido pela China é de 1,1 milhão de toneladas. A medida tem validade prevista de três anos e afeta diretamente o principal mercado da carne bovina brasileira.

Exportações aceleraram no início de 2026
A aproximação do teto tarifário foi impulsionada pelo aumento dos embarques brasileiros nos primeiros meses do ano. Dados do MDIC mostram que a China respondeu por 43,5% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume exportado ao mercado chinês avançou 28,8%.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, frigoríficos brasileiros aceleraram os envios justamente para tentar aproveitar o período antes da aplicação da sobretaxa.
A entidade informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre o avanço da utilização da cota, mas afirmou que o cenário já era esperado pelo setor. De acordo com a associação, a China provavelmente já recebeu mais de 60% da cota brasileira neste ano, considerando o chamado “transit time”, período médio de cerca de 45 dias para a carga chegar ao destino.
Setor prevê queda nas exportações
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que a tarifa pode provocar uma queda de aproximadamente 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026 na comparação com o ano anterior.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, sendo 1,7 milhão destinadas à China.
Segundo Perosa, a produção voltada especificamente ao mercado chinês pode se tornar economicamente inviável a partir de junho caso a nova tarifa entre em vigor.
“Não há mercado que substitua a China”, declarou o executivo ao comentar os possíveis impactos da medida para o setor frigorífico brasileiro.
Mercado interno pode absorver excedente
Com a possível redução dos embarques ao exterior, o setor projeta aumento da oferta de carne no mercado interno brasileiro. A expectativa é de que parte da produção destinada à China precise ser redirecionada ao consumo doméstico para evitar perdas maiores.
A estratégia de compensação internacional também enfrenta dificuldades. A abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira, esperada para este ano, não deve mais ocorrer em 2026.
Agora, a principal aposta do setor está no Japão, que segue em negociação com o Brasil para futura abertura comercial.
O mercado chinês se consolidou nos últimos anos como o maior comprador de carne bovina do Brasil. Atualmente, o país asiático possui quase o dobro da cota concedida à Argentina, segunda colocada entre os fornecedores beneficiados pelo sistema tarifário chinês.
A adoção da sobretaxa de 55% pode afetar diretamente frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia exportadora brasileira, em um momento de forte dependência do mercado asiático para o escoamento da produção nacional.




