O avanço de um forte ciclone extratropical no litoral de Santa Catarina colocou surfistas de ondas gigantes em estado de atenção nesta terça-feira (12). A expectativa é de que o fenômeno provoque uma ondulação histórica na Laje da Jagua, em Jaguaruna, com possibilidade de ondas superiores a 14 metros, algo nunca registrado oficialmente no Brasil.
Apesar do impacto visual e da força do mar, especialistas ressaltam que o fenômeno não se trata de um tsunami. As ondas gigantes previstas são consequência da atuação do ciclone extratropical combinado às características geográficas da região, que favorecem a formação de paredões em alto-mar.
A Laje da Jagua ganhou notoriedade internacional após o surfista Lucas Chumbo surfar, em julho de 2025, uma onda de 14,82 metros, considerada a maior já registrada no país.
A previsão para esta terça é de um swell considerado histórico por especialistas do surfe brasileiro. Segundo Thiago Jacaré, o mar apresenta condições raras no litoral catarinense.
“Provavelmente é o maior swell do ano no Brasil. O mar está extremamente perigoso e gigantesco”, afirmou o coordenador nacional de surf de ondas grandes da CBSurf.
O próprio Lucas Chumbo já entrou no mar nos últimos dias para avaliar as condições e relatou que as ondas vêm surpreendendo atletas experientes.
“Nazaré Brasileira” fica em alto-mar
A Laje da Jagua está localizada a cerca de 5 quilômetros da costa de Jaguaruna, no Sul de Santa Catarina. A formação rochosa submarina possui aproximadamente dois quilômetros de extensão e funciona como uma espécie de montanha submersa.
Segundo especialistas, é justamente essa característica que faz as ondas crescerem rapidamente quando se aproximam da região, em um fenômeno semelhante ao registrado em Nazaré, cidade portuguesa famosa pelas maiores ondas do mundo.
O local foi descoberto por surfistas em 2003 e, desde então, passou a ser considerado um dos principais pontos de ondas gigantes do planeta.
Para chegar até a laje, os atletas enfrentam cerca de 5 quilômetros de navegação em motos aquáticas, atravessando um mar extremamente agitado e áreas de forte arrebentação.



