A Ponte de Øresund é considerada uma das obras de engenharia mais impressionantes da Europa. Com cerca de 16 quilômetros de extensão, a estrutura conecta a Dinamarca e a Suécia por meio de uma combinação de ponte, ilha artificial e túnel submarino sobre o Mar Báltico.
Ligando as cidades de Copenhague e Malmö, a obra se tornou um dos maiores símbolos da integração econômica e logística da Escandinávia desde sua inauguração, em julho de 2000.
Além de ser a ponte rodoferroviária mais extensa do continente europeu, a Øresund também ficou conhecida pelo complexo sistema que une rodovia, ferrovia e um túnel submerso construído para permitir o tráfego marítimo e aéreo na região.
A ideia de criar uma ligação fixa entre Suécia e Dinamarca começou ainda no final do século XIX, mas os planos só avançaram efetivamente após a Segunda Guerra Mundial.
Durante décadas, os dois países discutiram os impactos econômicos, políticos e ambientais da construção. O acordo definitivo foi firmado apenas em 1991, enquanto as obras começaram em 1995.
A construção foi considerada um enorme desafio técnico para a época. O projeto precisou equilibrar infraestrutura pesada, preservação ambiental e integração internacional.
A ponte foi concluída dentro do cronograma e inaugurada oficialmente em 1º de julho de 2000.

Estrutura combina ponte, ilha artificial e túnel submarino
O sistema da Øresund funciona de maneira integrada.
Do lado dinamarquês, os veículos entram em um túnel submarino conhecido como Drogden Tunnel. Em seguida, passam pela ilha artificial de Peberholm antes de acessar a ponte principal que segue até Malmö.
A solução foi adotada para evitar impactos na navegação marítima e no tráfego aéreo próximo ao aeroporto de Copenhague.
A estrutura permite a circulação simultânea de carros e trens, facilitando o deslocamento diário de milhares de pessoas entre os dois países.
Ponte mudou a economia da região
A ligação transformou profundamente a chamada Região de Øresund, que reúne importantes cidades suecas e dinamarquesas.
Segundo estudos econômicos, a área concentra aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto combinado dos dois países e abriga mais de 4 milhões de habitantes.
Atualmente, cerca de 75 mil pessoas utilizam a ponte diariamente, enquanto metade das cargas transportadas entre Dinamarca e Suécia passa pela estrutura.
Pesquisas apontam ainda que a integração econômica proporcionada pela ponte gerou ganhos estimados em cerca de £7 bilhões para a região.
Empregos, crescimento e integração regional
A aproximação entre as cidades ampliou oportunidades de trabalho, comércio e mobilidade urbana.
Entre 2000 e 2010, a parte sueca da região registrou crescimento de 17% no emprego e aumento de 21% no PIB. Já o lado dinamarquês teve alta de 4% no emprego e expansão de 12% no PIB no mesmo período.
O acesso facilitado ao aeroporto internacional de Copenhague também fortaleceu a circulação de trabalhadores e empresas entre os dois países.
Ponte ainda enfrenta desafios
Apesar do sucesso econômico, a estrutura também enfrenta desafios.
Entre os principais pontos estão os pedágios cobrados dos motoristas, restrições de fronteira adotadas nos últimos anos e os impactos provocados pela pandemia de Covid-19 sobre o fluxo internacional de passageiros.
Outro tema debatido na região é a divisão das receitas obtidas com os pedágios, já que os valores retornam principalmente aos governos nacionais da Suécia e da Dinamarca, e não diretamente às administrações regionais afetadas pela infraestrutura.




