O Renault Kwid E-Tech, que chegou ao mercado brasileiro em 2022 como um dos carros elétricos mais baratos do país, acumulou uma forte desvalorização desde o lançamento. Segundo referências da Tabela Fipe de maio de 2026 reproduzidas por plataformas automotivas, a versão 2023 do modelo passou a valer cerca de R$ 65.520, valor muito inferior aos R$ 142.990 cobrados quando o hatch elétrico desembarcou no Brasil.
Na prática, a perda supera R$ 77 mil em aproximadamente três anos, representando uma desvalorização de mais de 54%.
Com isso, o compacto elétrico passou a disputar faixa de preço semelhante à de hatches populares usados com motor a combustão e até versões básicas de entrada vendidas atualmente no país.
A descontinuação do Renault Kwid E-Tech no mercado brasileiro ajudou a acelerar a redução dos preços no segmento de usados.
O modelo acabou perdendo espaço após a chegada de rivais chineses mais modernos e competitivos, especialmente o BYD Dolphin e o BYD Dolphin Mini, que rapidamente dominaram o mercado de elétricos de entrada no Brasil.
Além da concorrência, analistas apontam que limitações técnicas do hatch francês também reduziram sua atratividade frente aos novos concorrentes.
Autonomia e tecnologia ficaram atrás dos rivais
O modelo da Renault era equipado com motor elétrico de 44 cavalos e bateria de 26,8 kWh, com autonomia declarada de até 298 quilômetros pelo ciclo do Inmetro.
O carregamento podia ser feito em tomadas domésticas ou wallbox, mas o veículo não oferecia suporte para carregamento rápido em corrente contínua (DC), tecnologia que se tornou praticamente padrão nos elétricos mais recentes vendidos no país.
Essa limitação acabou afetando a competitividade do modelo diante da rápida evolução tecnológica do segmento.
Mercado brasileiro mudou com avanço chinês
O caso do Renault Kwid E-Tech virou um dos principais exemplos da transformação vivida pelo mercado brasileiro de veículos elétricos nos últimos anos.
A entrada agressiva das montadoras chinesas reconfigurou o setor de carros eletrificados acessíveis, pressionando preços e tornando modelos lançados poucos anos antes menos competitivos.
A própria parceria firmada entre Renault e Geely no Brasil é vista como uma tentativa de reposicionamento da marca diante do novo cenário do setor automotivo.
Com a saída do Kwid E-Tech, a tendência é que modelos chineses mais recentes passem a ocupar definitivamente o espaço dos elétricos de entrada no país.




