Os Estados Unidos anunciaram uma mudança no tratamento dado às principais facções criminosas brasileiras e passaram a enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão aproxima o país de medidas semelhantes já adotadas anteriormente por vizinhos sul-americanos.
O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado norte-americano e estabelece que os grupos passam a integrar a categoria de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, com entrada em vigor prevista para 5 de junho.
No comunicado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, o governo americano afirmou que PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e citou ataques contra agentes públicos e civis.
Antes da decisão dos Estados Unidos, outros países da região já haviam adotado enquadramentos semelhantes.
O primeiro foi o Paraguai. Em outubro de 2025, o presidente Santiago Peña assinou decreto classificando PCC e CV como organizações terroristas.

Na ocasião, o governo paraguaio justificou que as facções atuavam em território nacional com tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, além de representar ameaça à segurança e à soberania do país.
Com a medida, o Paraguai ampliou instrumentos de repressão, reforçou fiscalização na fronteira com o Brasil, intensificou o monitoramento financeiro e aumentou a presença de forças de segurança.
A decisão dos Estados Unidos amplia esse movimento internacional de endurecimento contra organizações criminosas com atuação transnacional.
Governo americano fala em ampliar combate aos grupos
Em entrevista à CNN Brasil, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou que o presidente Donald Trump pretende utilizar os instrumentos disponíveis para enfrentar organizações criminosas na região.
Segundo ela, o objetivo declarado da administração americana é ampliar ações contra grupos considerados ameaças à segurança dos Estados Unidos.
Debate no Brasil envolve soberania e ambiente de negócios
A decisão também provocou reações no Brasil. Durante participação no Fórum de Lisboa 2026, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski manifestou preocupação com os efeitos do enquadramento.
Segundo ele, medidas desse tipo podem abrir discussões sobre soberania nacional e aumentar exigências regulatórias e mecanismos de controle para empresas que mantêm relações internacionais.
Lewandowski argumentou que o impacto não se restringe à área de segurança pública e pode gerar reflexos sobre processos de conformidade corporativa, ambiente de negócios e percepção internacional do país.
Até o momento, o enquadramento anunciado pelos Estados Unidos se concentra nas organizações criminosas e não altera formalmente a classificação do Brasil como país.




