A cerca de 450 quilômetros de Porto Alegre e a 90 quilômetros de Chapecó, uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul ganhou projeção internacional graças à riqueza escondida em seu subsolo. Conhecida como Capital Mundial da Pedra Ametista, Ametista do Sul se transformou em referência na extração mineral e no turismo geológico, atraindo visitantes interessados em conhecer de perto uma das maiores concentrações da pedra semipreciosa do mundo.
Com aproximadamente 8 mil habitantes, o município tem sua economia impulsionada pela mineração e, mais recentemente, pelo crescimento da produção de vinhos. O subsolo da cidade abriga mais de uma centena de garimpos, dos quais cerca da metade permanece em atividade. Os túneis subterrâneos, que chegam a aproximadamente 60 metros de profundidade, formam uma extensa rede de galerias que ajudou a consolidar a fama internacional da região.
Uma das principais experiências para quem visita Ametista do Sul é explorar as minas onde a pedra é extraída. Em diversos garimpos desativados, turistas podem percorrer galerias subterrâneas, observar demonstrações de técnicas de mineração e conhecer o ambiente em que as ametistas são encontradas.
A cidade também abriga a primeira adega subterrânea construída dentro de uma mina, aproveitando as condições naturais de temperatura e umidade das galerias para o amadurecimento dos vinhos produzidos na região.

Igreja revestida com pedras preciosas é destaque mundial
Entre os símbolos mais conhecidos de Ametista do Sul está a Igreja Matriz São Gabriel, considerada única no mundo por possuir paredes revestidas com dezenas de toneladas de ametistas, cristais e citrinos extraídos na própria região.
Inaugurado em 2008, o templo conta inclusive com uma pia batismal feita de ametista. Ao lado da igreja, uma torre panorâmica permite aos visitantes observar a cidade e os garimpos espalhados pela paisagem local.
Outro destaque é o geodo com mais de dois metros de altura exposto na prefeitura municipal, além do Ametista Parque Museu, que reúne mais de 1.500 minerais e abriga uma das ametistas mais valiosas já encontradas, pesando cerca de 2,5 toneladas.
Meteorito gigante e atrações ligadas à mineração
Além das pedras preciosas, a cidade também guarda a maior coleção de minerais da América Latina e o maior meteorito já encontrado no Rio Grande do Sul, com 131,4 quilos.
Entre os pontos turísticos mais procurados estão ainda a Pirâmide Esotérica, revestida com ametistas e destinada a atividades de meditação, o Mirante da Torre e os passeios de buggy que percorrem áreas de mineração ativas e desativadas.
Pedra tem história milenar e fama mundial
A ametista é uma das pedras semipreciosas mais conhecidas do mundo e possui uma longa trajetória histórica. Na Antiguidade, foi utilizada por integrantes da realeza e chegou a ter valor semelhante ao de pedras preciosas como rubis, safiras e esmeraldas. Também aparece em relatos e lendas da Grécia antiga e esteve presente em coroações britânicas e em joias utilizadas por líderes religiosos.
Embora seja encontrada em diversos países, como África do Sul, Uruguai e Bolívia, o Brasil está entre os maiores produtores mundiais da pedra. Grandes depósitos foram descobertos no país ainda no século XIX, ajudando a transformar cidades como Ametista do Sul em referências internacionais no setor mineral.




