A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou uma nova política de fiscalização para ordenar o comércio ambulante nas praias da Zona Sul. As novas medidas começam a valer em 16 de julho e terão caráter permanente, com atuação ininterrupta ao longo de toda a orla entre o Leme e o Leblon, passando por Copacabana, Arpoador e Ipanema.
Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a iniciativa faz parte da política de Tolerância Zero contra o comércio irregular e não se trata de uma operação temporária. A proposta prevê patrulhamento ostensivo 24 horas por dia, pontos fixos de controle, ações preventivas, apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e combate aos depósitos clandestinos que abastecem vendedores ilegais.
De acordo com a prefeitura, a principal mudança em relação ao modelo atual é a presença contínua de agentes na orla.
Ao todo, 320 agentes municipais atuarão em escalas de 12 horas, com cerca de 160 profissionais por turno, distribuídos em 69 pontos entre o Leme e o Leblon. As equipes contarão com apoio dos setores de inteligência das Polícias Civil e Militar.
Além do efetivo em campo, a fiscalização utilizará câmeras de monitoramento e drones para acompanhar a movimentação na orla e identificar irregularidades.
Prefeitura aponta atuação de organizações criminosas
Durante o anúncio, o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, afirmou que investigações identificaram a atuação de facções criminosas explorando parte dos vendedores irregulares.
Segundo ele, há indícios de que grupos criminosos cobram entre R$ 200 e R$ 300 por dia para permitir a utilização de determinados pontos de venda no calçadão.
A prefeitura informou ainda ter identificado aproximadamente 1.000 ambulantes ilegais atuando na Zona Sul. Desse total, cerca de 20% seriam estrangeiros. Também foram localizados 22 depósitos irregulares utilizados para armazenar mercadorias destinadas ao comércio clandestino.
Entre os produtos mais comercializados estão roupas de praia, camisetas de futebol, alimentos, bebidas, incluindo bebidas alcoólicas, e serviços irregulares de aluguel de bicicletas elétricas e ciclomotores.
Trabalhadores serão orientados a buscar formalização
Como parte da estratégia, a administração municipal informou que vendedores sem autorização serão orientados a se cadastrar em plataformas públicas de vagas de emprego e programas de qualificação profissional.
A iniciativa ocorre em um momento de crescimento da formalização entre trabalhadores autônomos. Dados do Sebrae mostram que o número de ambulantes registrados como Microempreendedores Individuais (MEI) chegou a mais de 56 mil em 2025, crescimento de 45% em comparação com 2023, quando havia cerca de 38 mil registros. Em 2024, esse número era de aproximadamente 42 mil.




