Reconhecido como um dos principais formuladores das políticas de combate à pobreza no Brasil, o economista Ricardo Paes de Barros é frequentemente citado como um dos idealizadores do Bolsa Família. Com uma trajetória dedicada ao estudo da desigualdade, mercado de trabalho e educação, ele participou da construção do modelo que deu origem ao programa federal de transferência de renda, considerado um dos mais importantes da história recente do país.
Ao longo da carreira, Paes de Barros também ocupou cargos estratégicos no governo federal, atuou como pesquisador por mais de três décadas no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e atualmente é professor titular do Insper.
Ricardo Paes de Barros é formado em Engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), possui mestrado em Estatística pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e doutorado em Economia pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Durante mais de 30 anos no Ipea, concentrou seus estudos em temas como pobreza, desigualdade social, mercado de trabalho e educação. Também foi professor visitante da Universidade Yale, diretor do Conselho de Estudos Sociais do Ipea, subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e presidente da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento.
Ao longo da carreira acadêmica, publicou diversos livros e artigos científicos e recebeu importantes reconhecimentos, entre eles o Prêmio Haralambos Simeonidis, o Prêmio Mario Henrique Simonsen, a primeira edição do Prêmio Celso Furtado em Estudos Sociais, concedido pela Academia Mundial de Ciências, além da Ordem Nacional do Mérito Científico. Também foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências.
Atualmente, desenvolve pesquisas no Insper voltadas ao uso de evidências científicas para a formulação e avaliação de políticas públicas.
Como surgiu o Bolsa Família
O Bolsa Família foi criado em 2003, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir da unificação de programas sociais existentes, como o Bolsa Escola, lançado em 2001, o Bolsa Alimentação, o Auxílio Gás e outras iniciativas de transferência de renda.
A consolidação do programa foi formalizada pela Lei nº 10.836, de 2004, estabelecendo um modelo único de atendimento às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, utilizando um cadastro integrado que já vinha sendo estruturado desde anos anteriores.
Em 2021, o Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil. Dois anos depois, em 2023, voltou a adotar a denominação original por meio da Lei nº 14.601/2023.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social divulgados em 2023, o programa atendia cerca de 21 milhões de famílias, alcançando aproximadamente 56 milhões de brasileiros.
O Bolsa Família foi estruturado para promover a transferência direta de renda às famílias de baixa renda, buscando reduzir a pobreza, combater a fome e diminuir a desigualdade social.
Além do auxílio financeiro, o programa estabelece condicionalidades relacionadas principalmente à educação e à saúde, com o objetivo de estimular a permanência das crianças na escola, o acompanhamento vacinal e o acesso aos serviços públicos, contribuindo para interromper o ciclo intergeracional da pobreza.
Críticas ao Auxílio Brasil
Em 2022, durante a vigência do Auxílio Brasil, Ricardo Paes de Barros afirmou que a mudança no desenho do programa havia aumentado a insegurança entre as famílias de baixa renda.
Na ocasião, o economista declarou que a previsibilidade existente no Bolsa Família era um dos fatores que contribuíam para a segurança alimentar dos beneficiários.
Segundo ele, embora o valor recebido anteriormente fosse menor, as famílias sabiam com antecedência quando e quanto iriam receber. Na avaliação do pesquisador, a instabilidade gerada pelas alterações frequentes no programa reduziu a sensação de segurança dos beneficiários.
Paes de Barros também relacionou esse cenário ao aumento da pobreza e da insegurança alimentar observado naquele período. Dados divulgados em 2022 por estudos como o Mapa da Nova Pobreza, da FGV Social, e levantamentos sobre segurança alimentar apontavam crescimento do número de brasileiros em situação de vulnerabilidade, reforçando, segundo o economista, a importância de políticas públicas estáveis e previsíveis para o combate à pobreza e à fome.




