O pré-candidato a presidente do Brasil Flávio Bolsonaro estrutura um projeto que vai além da manutenção do Bolsa Família e propõe uma reengenharia do programa social. A ideia, conduzida pela equipe de Daniella Marques, é transformar o benefício em uma plataforma mais ampla, que una transferência de renda, qualificação profissional e acesso a crédito.
O beneficiário que conseguir emprego formal ou abrir um MEI continuaria amparado por até dois anos, com cashback para cursos e microcrédito da Caixa. O desenho representa uma mudança de paradigma: o programa deixaria de ser apenas uma renda básica para funcionar como um estímulo à formalização e ao empreendedorismo.
Outro projeto: internet e celular de graça
O projeto inclui internet gratuita para 70 milhões de mulheres e possível distribuição de celulares para baixa renda. A agenda social contrasta com o que o mercado espera: um plano fiscal claro, com cortes de gastos e estabilização da dívida.
Daniella apresentou meta de redução de despesas de 1,5% do PIB, equivalente a 217 bilhões de reais em valores projetados para 2027, mas a campanha ainda não disse de onde virá esse dinheiro.
A cifra supera todo o orçamento discricionário do Executivo previsto para 2026, de 183,6 bilhões de reais, o que significa que o ajuste teria de atingir despesas obrigatórias, subsídios ou renúncias fiscais. Daniella defende revisão de benefícios tributários e orçamento base zero, mas Flávio já descartou mexer no salário mínimo, na Previdência e nos pisos constitucionais.
A Caixa seria a principal executora da estratégia, com crédito barato para informais e pequenos empreendedores. A experiência anterior com o SIM Digital, que registrou inadimplência superior a 80%, impõe cautela. O pacote Brasil por Elas inclui plataforma digital com inteligência artificial, vouchers para creches e aluguel social.








