Os Estados Unidos mantêm um dos maiores programas de combate à insegurança alimentar do mundo, frequentemente comparado ao Bolsa Família brasileiro. Conhecido como Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), o benefício atende atualmente mais de 42 milhões de pessoas e oferece recursos mensais para a compra de alimentos, ajudando famílias de baixa renda em todo o país.
Financiado pelo governo federal e administrado pelos estados norte-americanos, o programa funciona por meio de um cartão eletrônico semelhante a um cartão de débito. Os valores são depositados mensalmente e podem ser utilizados em supermercados, feiras e estabelecimentos credenciados exclusivamente para a compra de alimentos e bebidas, sendo proibido o uso para produtos como cigarros, bebidas alcoólicas, itens não alimentícios e, na maioria dos casos, refeições prontas.
O valor recebido varia conforme fatores como renda, composição familiar e patrimônio. Para ter acesso ao benefício, o candidato também precisa atender critérios relacionados à situação migratória, comprovação de renda e, em muitos casos, vínculo com o mercado de trabalho. Em geral, a renda bruta mensal da família deve ser de até 130% da linha federal de pobreza.
Em 2024, o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 99,8 bilhões ao SNAP. Apesar do elevado investimento, o benefício individual permanece relativamente modesto, com média de aproximadamente US$ 187 por pessoa por mês, calculada com base no plano alimentar econômico elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Programa reduz insegurança alimentar e melhora indicadores sociais
Especialistas apontam que o SNAP vai além da garantia de alimentação. Como parte das despesas com comida passa a ser coberta pelo benefício, muitas famílias conseguem direcionar recursos para outras necessidades básicas, como moradia, medicamentos, roupas e produtos de higiene.
Pesquisas também associam o programa à redução da insegurança alimentar, melhora da saúde, do desenvolvimento infantil e do desempenho escolar. Entre adolescentes, estudos identificam menor incidência de problemas ligados à ansiedade, depressão e evasão escolar quando há acesso regular à alimentação.
Além disso, o benefício amplia o consumo de frutas, verduras e outros alimentos mais nutritivos, reduzindo a dependência de produtos ultraprocessados e contribuindo para diminuir fatores de risco relacionados à obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
Bolsa Família tem foco mais amplo no combate à pobreza
Embora compartilhem o objetivo de combater a vulnerabilidade social, o Bolsa Família e o SNAP apresentam diferenças importantes.
Enquanto o programa norte-americano destina exclusivamente recursos para alimentação, o Bolsa Família realiza transferência direta de renda para famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, permitindo que o dinheiro seja utilizado conforme as necessidades do núcleo familiar.
No Brasil, o benefício é administrado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e pago pela Caixa Econômica Federal. Além da transferência de renda, o programa estabelece condicionalidades nas áreas de saúde e educação, como vacinação infantil e frequência escolar.
Atualmente, o Bolsa Família garante um valor mínimo de R$ 600 por família, com adicionais destinados a crianças pequenas, gestantes, nutrizes e adolescentes, conforme a composição familiar.
Estudos apontam impacto positivo do Bolsa Família
Assim como ocorre com o SNAP, pesquisas também identificam efeitos positivos do programa brasileiro.
Um estudo divulgado em 2026 pelo National Bureau of Economic Research (NBER) analisou a ampliação do Bolsa Família realizada em 2012 e concluiu que a medida elevou os níveis de emprego entre beneficiários em 4,8%, reduziu as hospitalizações em 8%, diminuiu o tempo médio de internação em 6% e contribuiu para uma queda de 14% na mortalidade entre famílias em situação de extrema pobreza.












