O sarampo voltou a exigir atenção das autoridades brasileiras em 2026 após novos casos serem identificados no país e diante do avanço da doença em diferentes pontos das Américas. Embora o Brasil tenha eliminado a circulação endêmica do vírus e recebido certificação internacional por isso, ocorrências relacionadas principalmente à importação mantêm o risco de novos surtos, especialmente entre pessoas não vacinadas ou com o esquema de imunização incompleto.
Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos de sarampo, todos relacionados à importação do vírus ou a cadeias de transmissão iniciadas após a entrada de pessoas infectadas no território nacional. Até a semana epidemiológica 14 de 2026, o Ministério da Saúde havia confirmado dois novos casos: um em São Paulo, associado a viagem internacional e à ausência de vacinação, e outro no Rio de Janeiro, cuja fonte de infecção não foi identificada e que também ocorreu em uma pessoa sem registro de imunização.
A situação levou autoridades paulistas a reforçarem a vacinação. Em julho, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação para três municípios do estado de São Paulo diante de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus.

Brasil já havia eliminado a circulação do sarampo
O histórico recente mostra como a situação atual representa uma mudança em relação aos avanços obtidos no controle da doença.
Depois do último registro de casos em 2015, o Brasil recebeu, em 2016, da Organização Pan-Americana da Saúde, a certificação de eliminação do sarampo. Naquele ano e em 2017, não houve confirmação de casos no território nacional.
O cenário começou a mudar em 2018, quando o vírus voltou a circular no país em meio ao fluxo migratório e à redução das coberturas vacinais. A transmissão permaneceu por mais de 12 meses e, em 2019, o Brasil perdeu a certificação de eliminação.
Entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39 mil casos no país, com concentração especialmente elevada em 2019. A partir de 2021, entretanto, houve uma queda acentuada. Em 2022, foram contabilizados 41 casos.
Em 2023, nenhum caso foi confirmado. Já em 2024, o país registrou cinco infecções, em sua maioria relacionadas a importações ou viagens internacionais.
A baixa cobertura vacinal teve papel importante no avanço do surto. Vinte e dois dos 25 casos, o equivalente a 84%, ocorreram em uma comunidade tradicional na qual nenhum dos indivíduos infectados possuía registro de vacinação contra o sarampo.
Na Bahia, por outro lado, não há registro de sarampo atualmente. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, os últimos casos confirmados ocorreram em 2020, quando foram identificadas sete infecções relacionadas ao surto iniciado no ano anterior.
Sarampo é altamente contagioso
O sarampo é uma doença infecciosa provocada por vírus e apresenta elevado potencial de transmissão. A disseminação ocorre principalmente pelo ar, por meio de tosse, espirro, fala ou respiração de uma pessoa infectada.
Uma pessoa doente pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não possuem imunidade. A transmissão pode começar até seis dias antes do surgimento das manchas características e continuar por aproximadamente quatro dias depois do aparecimento do exantema.
Entre os principais sintomas estão febre alta, geralmente acima de 38,5°C, manchas vermelhas pelo corpo, tosse seca, irritação nos olhos e intenso mal-estar.
As manchas costumam surgir inicialmente no rosto e atrás das orelhas, entre o terceiro e o quinto dia da doença, antes de se espalharem pelo restante do corpo. A persistência da febre merece atenção especial e pode indicar evolução mais grave, principalmente entre crianças menores de cinco anos.












