Proprietários de carros elétricos e eletrificados precisam ficar atentos às mudanças previstas para o IPVA a partir de 2027. Em alguns estados brasileiros, benefícios concedidos atualmente têm prazo de validade até o fim de 2026 e ainda não há confirmação de renovação. Em São Paulo, a situação é diferente: determinados veículos híbridos e movidos a hidrogênio terão a alíquota elevada gradualmente a partir do próximo ano.
A discussão ocorre justamente quando o mercado de veículos eletrificados atravessa um período de forte expansão no país. Em julho de 2026, foram licenciados 56.074 veículos eletrificados, fazendo com que o segmento alcançasse 21,1% de participação no mercado automotivo brasileiro.
O volume representou alta de 18% em relação a junho, quando foram registradas 45.579 unidades, e crescimento de 195% na comparação com julho de 2025, que teve 15.525 licenciamentos.
No Amapá e em Tocantins, veículos elétricos contam atualmente com isenção total do IPVA. O benefício, entretanto, está previsto em leis cuja vigência termina no fim de 2026.
Até o momento, não há previsão de renovação das regras. Caso não sejam prorrogadas ou substituídas por novas medidas, os proprietários desses veículos poderão deixar de contar com a isenção a partir de 2027.
A mudança, portanto, dependerá das decisões tomadas pelos governos estaduais e das eventuais alterações na legislação antes do encerramento da vigência atual.
São Paulo terá aumento gradual do imposto
Em São Paulo, o benefício é mais restrito e contempla veículos movidos a hidrogênio ou determinados modelos híbridos que atendam a critérios específicos.
Para ter direito à regra atual, o automóvel precisa custar até R$ 261.154,45. Também deve possuir motor elétrico com potência mínima de 40 kW, equivalente a cerca de 54 cv, além de bateria com tensão mínima de 150 V.
Outro requisito é que o motor a combustão seja compatível com etanol, seja exclusivamente abastecido com esse combustível ou tenha sistema flex.
A legislação entrou em vigor em 2025 e tem validade até o final de 2026. Depois disso, haverá uma transição com aumento progressivo da alíquota do IPVA.
O cronograma previsto estabelece:
- 2027: alíquota de 1%;
- 2028: alíquota de 2%;
- 2029: alíquota de 3%;
- A partir de 2030: alíquota integral de 4%.
Na prática, os proprietários dos modelos enquadrados na regra paulista deverão começar a pagar uma parcela do imposto já em 2027, caso o cronograma seja mantido.
Outros estados estudam ampliar benefícios
Enquanto alguns estados caminham para o fim ou redução dos incentivos, outros avaliam novas medidas para estimular a compra de veículos elétricos.
No Espírito Santo, o governador Ricardo Ferraço anunciou em junho de 2026 que estuda conceder isenção de IPVA para a primeira compra de um veículo elétrico.
Goiás também aparece entre os estados que possuem iniciativas relacionadas à implantação ou expansão de benefícios para veículos elétricos.
As propostas fazem parte de um cenário em que governos estaduais precisam conciliar políticas de incentivo à eletrificação da frota com a arrecadação proveniente do IPVA.
Mercado de eletrificados bate recorde
A possível mudança nos benefícios ocorre em meio a um crescimento acelerado das vendas de veículos eletrificados no Brasil.
Somente nos primeiros sete meses de 2026, foram registrados 271.091 emplacamentos. O número já é 21% superior às 223.896 unidades vendidas durante todo o ano de 2025.
O desempenho de julho foi especialmente significativo. Com 56.074 veículos licenciados, os eletrificados alcançaram participação de 21,1% no mercado automotivo brasileiro. Isso significa que aproximadamente dois em cada dez automóveis leves vendidos no país no mês tinham algum tipo de motorização eletrificada.











