O etíope Yomif Kejelcha, de 29 anos, protagonizou uma das performances mais impressionantes da história das provas de longa distância neste domingo (23). O atleta venceu a Meia Maratona de Buenos Aires, na Argentina, com o tempo de 56 minutos e 51 segundos e estabeleceu o que passa a ser o novo recorde mundial dos 21,097 quilômetros. A marca ainda precisa ser ratificada pela World Athletics, entidade que regulamenta o atletismo mundial.
Kejelcha reduziu em 29 segundos o recorde anterior, de 57min20s, que pertencia ao ugandense Jacob Kiplimo e havia sido registrado em Lisboa, em março deste ano. Além de superar a marca mundial, o etíope também melhorou em 39 segundos seu próprio recorde pessoal na distância.
“Estou muito, muito feliz. Na verdade, não esperava um recorde mundial”, afirmou o atleta após a prova. Segundo ele, o objetivo inicial era correr abaixo dos 57 minutos e, principalmente, superar o recorde da própria competição.
Ritmo impressionante levou ao recorde
A prova foi disputada em condições consideradas favoráveis, com temperatura de 6°C na largada e uma leve brisa. Kejelcha começou acompanhado por dois pacemakers, o ugandense Dillon Kipyeko e o queniano Brian Kipmwetich Kipkore, que tinham a missão de estabelecer um ritmo inicial próximo de 2min45s por quilômetro.
Nos primeiros cinco quilômetros, Kipkore passou em 13min45s, com Kejelcha logo atrás e o compatriota Tadese Worku acompanhando o grupo. O etíope, entretanto, começou a acelerar gradualmente.
Aos 10 quilômetros, o relógio marcava 27min19s, após um trecho de cinco quilômetros percorrido em 13min34s. Apesar de ainda estar atrás do ritmo registrado por Kiplimo na corrida do recorde anterior, Kejelcha aumentou progressivamente a velocidade.

A virada aconteceu nos quilômetros seguintes. Entre os 10 e os 15 quilômetros, o etíope completou o trecho em 13min22s, chegando aos 15 quilômetros em 40min41s. Nesse ponto, já estava 11 segundos à frente do ritmo correspondente ao recorde mundial anterior.
Com o desempenho crescente e beneficiado por um trecho com vento favorável, Kejelcha passou a correr perto de 2min40s por quilômetro. Aos 20 quilômetros, o cronômetro apontava 54min04s, resultado de um trecho de 10 quilômetros realizado em impressionantes 26min45s.
No último quilômetro, o atleta ainda conseguiu acelerar. Foram apenas 2min32s até a chegada, fechando a prova em 56min51s.
Etíope fez pódio inteiro em Buenos Aires
A vitória de Kejelcha foi acompanhada por outro domínio etíope no pódio masculino. Tadese Worku terminou na segunda colocação, com 59min20s, enquanto Bereket Nega ficou em terceiro, com 1h00min20s.
Antes da competição, Kejelcha havia estabelecido como objetivo correr abaixo dos 58 minutos. O resultado, porém, superou amplamente a expectativa.
“Eu tinha planejado correr de forma conservadora no início, mas me senti bem e decidi dar tudo de mim”, contou o atleta, que descreveu o tempo como “inacreditável”.
A viagem desde a Etiópia havia sido longa e, segundo o próprio corredor, os primeiros dias em Buenos Aires foram marcados pelo cansaço. Na manhã da prova, entretanto, ele afirmou estar recuperado e sem sentir fadiga.
Após a corrida, Kejelcha ainda revelou dois planos para o restante do dia: experimentar a tradicional carne argentina e assistir ao confronto entre River Plate e Vélez Sarsfield no Estádio Monumental.
Kejelcha já havia feito história na maratona
O novo recorde amplia uma trajetória que já vinha chamando atenção no atletismo internacional. Em abril, em Londres, Kejelcha havia registrado 1h59min40s em sua estreia na maratona, tornando-se o estreante mais rápido da história da distância.
Em Buenos Aires, porém, o desafio era outro: sustentar um ritmo extraordinário durante os 21 quilômetros e superar uma marca mundial estabelecida apenas alguns meses antes.
O desempenho também mostra a evolução do corredor, que conseguiu manter parciais cada vez mais rápidas na segunda metade da prova. O resultado final de 56min51s representa uma média próxima de 2min42s por quilômetro durante toda a meia maratona.
A confirmação definitiva do recorde dependerá agora dos procedimentos de ratificação da World Athletics.











