Os trabalhadores dos Correios estão em greve nacional por tempo indeterminado desde a última quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela estatal durante as negociações do acordo coletivo de trabalho 2025/2026.
Até o momento, não há uma data definida para o fim da greve. O principal marco estabelecido é o julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), marcado para 21 de setembro, às 13h30. Até lá, Correios e representantes dos trabalhadores ainda podem chegar a um acordo.
Desde sábado (12), a empresa opera com capacidade reduzida. Uma decisão do TST determinou que 80% do efetivo dos Correios seja mantido em atividade durante a paralisação, após a estatal recorrer à Justiça para garantir o funcionamento mínimo dos serviços.
Na ação apresentada ao tribunal, os Correios pediram, em caráter de urgência, que a greve fosse considerada abusiva e solicitaram a abertura do dissídio coletivo diante do impasse nas negociações salariais.
Com o julgamento marcado, a paralisação poderá ter novos desdobramentos nos próximos dias. A definição sobre o movimento dependerá tanto da decisão do TST quanto da possibilidade de um acordo entre as partes antes da sessão.
Enquanto a greve continua, a FINDECT, federação que representa sindicatos da categoria, orienta as entidades filiadas a manterem a paralisação e as mobilizações. Ao mesmo tempo, afirma que permanece aberta ao diálogo para que uma nova proposta seja construída e posteriormente apresentada aos trabalhadores.
Como os Correios estão funcionando durante a greve
Para tentar diminuir os efeitos da paralisação, os Correios afirmam ter colocado em prática um plano de contingência. Entre as medidas estão o deslocamento de empregados administrativos para atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas e demais serviços.
Segundo a estatal, as agências continuam abertas ao público, embora a operação esteja funcionando com capacidade reduzida.
A empresa também afirma que atravessa um período de dificuldades econômico-financeiras e que suas prioridades incluem a redução de despesas, o aumento da eficiência, a modernização das operações e a criação de novas fontes de receita.
Crise financeira aumenta pressão sobre a empresa
A greve ocorre em meio a uma situação financeira delicada nos Correios. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de aproximadamente R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.
O resultado do segundo trimestre, apesar de ainda negativo, foi inferior às perdas registradas no primeiro trimestre de 2026 e no quarto trimestre de 2025. No primeiro trimestre deste ano, os Correios haviam registrado um prejuízo recorde.
A estatal também aguarda a liberação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional. A expectativa é de que os recursos sejam liberados nesta semana.
Segundo apuração do g1, o novo financiamento deve ser concedido por um consórcio de bancos. A operação deve envolver Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul, em uma estrutura semelhante à utilizada no fim do ano passado, quando os Correios receberam R$ 12 bilhões.
Quais regiões aderiram à greve?
De acordo com a FINDECT, sindicatos de diferentes estados e regiões aprovaram a paralisação. Entre eles estão entidades do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
Também aderiram sindicatos de regiões específicas, como Campinas, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santa Maria, Uberaba, Vale do Paraíba, Bauru e Santos.
O SINTECT-AC, do Acre, tinha assembleia prevista para esta quinta-feira (10), segundo a relação divulgada pela federação.











