A sexta geração de internet móvel ainda não chegou ao mercado, mas a tecnologia já começa a deixar os laboratórios e avançar para testes em ambientes reais. A Samsung Electronics anunciou que concluiu, em parceria com a operadora norte-americana Verizon Communications, um experimento considerado importante para a futura implementação comercial das redes 6G.
O teste utilizou inteligência artificial (IA) e a chamada Comunicação e Sensoriamento Integrados, conhecida pela sigla ISAC (Integrated Sensing and Communication). A demonstração ocorreu durante um grande evento internacional de futebol realizado no Texas, nos Estados Unidos, e mostrou como uma rede virtualizada pode não apenas transmitir informações, mas também perceber o que acontece ao seu redor e transformar esses dados em respostas em tempo real.
Apesar do avanço, o 6G ainda não está disponível para uso comercial. A tecnologia passa por uma fase de desenvolvimento e padronização, e vários de seus recursos e especificações ainda não foram definidos.
O que muda com a chegada do 6G
O 6G representa a próxima etapa da evolução das comunicações sem fio depois do 5G. A expectativa é que a nova geração ofereça velocidades ainda maiores, capacidade significativamente superior e latência extremamente baixa, com atrasos que podem chegar à escala de microssegundos.
A proposta também vai além de simplesmente tornar a internet móvel mais rápida. A tecnologia deverá combinar redes de comunicação com inteligência artificial e aprendizado de máquina para criar sistemas capazes de operar de maneira mais autônoma e responder instantaneamente às condições do ambiente.
A evolução das gerações anteriores ajuda a dimensionar essa transformação. O 1G foi desenvolvido para chamadas de voz analógicas, enquanto o 2G acrescentou comunicação digital e mensagens de texto. O 3G ampliou o acesso a dados móveis, e o 4G levou a internet de alta velocidade aos celulares.
Com o 5G, surgiram condições para aplicações que dependem de baixa latência e para a expansão da chamada Internet das Coisas, que conecta equipamentos, sensores e outros dispositivos à rede.
O 6G pretende ampliar esse ecossistema e aproximar os mundos físico, digital e biológico. A ideia é criar uma sociedade hiperconectada, na qual redes de comunicação não funcionem apenas como canais para transportar dados, mas também como uma infraestrutura capaz de compreender o ambiente em que estão inseridas.
Samsung testa tecnologia que une comunicação e percepção
Foi justamente essa capacidade que a Samsung buscou demonstrar no experimento realizado com a Verizon. Para o teste, a empresa sul-coreana combinou tecnologias comerciais de rede de acesso por rádio virtualizada, conhecidas como vRAN, com um núcleo de rede virtualizado, o vCore, além de uma aplicação baseada em ISAC e inteligência artificial.
O resultado permitiu que a rede utilizasse recursos de uma infraestrutura 5G já existente, sem a necessidade de instalar equipamentos adicionais específicos para realizar o experimento.
Na prática, a demonstração representa uma das primeiras aplicações em ambiente real de uma tecnologia considerada fundamental para o futuro do 6G. A proposta é fazer com que a infraestrutura de telecomunicações consiga identificar informações sobre o espaço ao seu redor enquanto mantém suas funções tradicionais de conectividade.
Essa combinação abre caminho para redes capazes de gerar inteligência a partir do próprio ambiente em que operam. Em vez de apenas transportar dados entre dispositivos, a infraestrutura poderá participar ativamente da percepção e da tomada de decisões em sistemas conectados.
Quando o 6G poderá chegar
Ainda não existe uma data definitiva para o lançamento comercial do 6G. A tecnologia está sendo desenvolvida enquanto pesquisadores e empresas trabalham na definição de padrões, arquiteturas e aplicações que deverão orientar a próxima geração das redes móveis.
Por isso, embora os testes da Samsung e da Verizon indiquem que componentes importantes do 6G já estão sendo colocados à prova, isso não significa que consumidores terão acesso imediato a uma rede 6G nos smartphones.











