Uma alegação sobre a saúde do presidente chinês Xi Jinping ganhou repercussão após Wanjun Xie, presidente do Partido Democrático da China, afirmar em uma publicação na rede social X que o líder teria sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) durante a cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, na Índia. Segundo Xie, Xi teria desmaiado, recebido atendimento emergencial da equipe médica que o acompanhava e retornado à China para tratamento.
Até o momento, porém, a informação não foi confirmada por autoridades chinesas ou indianas, nem por registros médicos independentes. As informações oficiais disponíveis indicam que Xi participou da programação prevista para a cúpula e deixou a Índia em 13 de setembro, conforme o cronograma anunciado antes da viagem.
De acordo com a publicação de Xie, Xi teria recebido os primeiros cuidados ainda durante o encontro e encerrado antecipadamente sua passagem pela Índia. O opositor afirmou que o presidente chinês teria retornado a Pequim em um voo especial e, após chegar ao país, sido transportado de helicóptero militar diretamente para o Hospital 301, em Pequim.
Xie também alegou que médicos do hospital teriam identificado um AVC isquêmico grave, descrito por ele como um tipo de infarto cerebral. A publicação afirma ainda que Xi teria recusado atendimento hospitalar na Índia por receio de que informações sobre seu estado de saúde chegassem às autoridades indianas.
Outra alegação é de que, durante o voo de volta à China, a equipe médica teria conseguido apenas realizar tratamento conservador, já que uma cirurgia não seria possível dentro da aeronave. Xie afirmou ainda que o suposto atraso teria feito Xi perder uma janela considerada importante para atendimento emergencial.
Nenhuma dessas informações foi acompanhada de prontuários, comunicado hospitalar, diagnóstico médico ou outro documento que permita confirmar independentemente as alegações. A publicação também recebeu questionamentos na própria plataforma X sobre a falta de evidências.
Registros oficiais não indicam interrupção da agenda
Os registros oficiais disponíveis apresentam uma versão diferente da alegação de que Xi teria deixado a Índia de forma inesperada por causa de uma emergência médica.
O Ministério das Relações Exteriores da China informou previamente que Xi participaria da 18ª Cúpula do BRICS, em Nova Délhi, nos dias 12 e 13 de setembro. Ele chegou à Índia no dia 12 e se reuniu com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.
No dia 13, registros chineses também colocam Xi na segunda sessão da cúpula. Em sua declaração, o presidente começou agradecendo a Modi e ao governo indiano pela organização do encontro.
O Ministério das Relações Exteriores chinês informou que Xi deixou Nova Délhi ao meio-dia de 13 de setembro, após concluir sua participação na cúpula. Autoridades indianas acompanharam sua saída no aeroporto. Mais tarde, o governo chinês informou que ele havia retornado a Pequim.
O registro oficial também informa que integrantes da comitiva de Xi, entre eles Cai Qi e o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, retornaram no mesmo voo. Esse detalhe contrasta com a alegação de que o presidente teria voltado em um avião médico especial separado.
Ausência em jantar também levantou especulações
Outro episódio ocorrido durante a cúpula passou a ser associado às especulações sobre a saúde do presidente chinês. Xi não participou do jantar oferecido por Modi aos líderes do BRICS.
Segundo informações divulgadas pela imprensa indiana, Xi teria retornado ao hotel para descansar depois de uma agenda que incluiu a reunião bilateral com Modi. A ausência, no entanto, não foi oficialmente relacionada a qualquer problema de saúde.
Também circularam imagens de um breve momento durante a cúpula em que Modi pareceu verificar se Xi estava bem. O episódio foi posteriormente associado às especulações nas redes sociais, mas não há confirmação de que tenha ocorrido uma emergência médica naquele momento.











