O Pix pode ganhar espaço no comércio internacional caso avance a proposta discutida pelos países do Brics para integrar sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais. A possibilidade foi mencionada nesta terça-feira (11) pelo presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, que afirmou que o grupo avalia mecanismos para facilitar transações entre seus integrantes e reduzir os custos de operações internacionais.
O tema deverá ser discutido na próxima cúpula do Brics, marcada para os dias 12 e 13 de setembro. Caso a iniciativa seja aprovada, o Pix poderá integrar uma estrutura de sistemas de pagamentos instantâneos utilizados nas transações comerciais entre os países do bloco.
A proposta envolve, além do Pix, a integração de diferentes sistemas nacionais e o possível uso das chamadas CBDCs, moedas digitais emitidas por bancos centrais. A ideia é facilitar pagamentos transfronteiriços sem necessariamente substituir as moedas nacionais.
O grupo atualmente reúne 11 países: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia.
A discussão também ocorre em um contexto de tensão comercial entre o governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma maior integração financeira entre os países do Brics poderia ampliar o uso de alternativas aos sistemas tradicionais de pagamentos internacionais.

Pix já funciona em outros países
Mesmo sem uma integração oficial do sistema brasileiro aos meios de pagamento estrangeiros, o Pix já pode ser utilizado em determinadas situações fora do Brasil.
Isso acontece por meio de acordos entre fintechs brasileiras, empresas adquirentes, instituições financeiras e companhias especializadas em pagamentos internacionais. Essas parcerias permitem que estabelecimentos estrangeiros aceitem Pix de brasileiros.
Entre os países que já contam com soluções desse tipo estão Argentina, Estados Unidos, Portugal, Chile e Uruguai, entre outros destinos procurados por turistas brasileiros.
A operação normalmente envolve uma intermediária de câmbio e pagamentos internacionais, conhecida como eFX. O consumidor faz o Pix em reais para a empresa responsável pela operação, que realiza a conversão da moeda e repassa o valor ao estabelecimento no exterior.
Empresas ampliam aceitação do sistema
Um dos exemplos é a PagBrasil, que vem expandindo a utilização do Pix em pagamentos internacionais. A empresa firmou uma parceria com a americana Verifone, companhia de meios de pagamento presente em aproximadamente 75% do varejo dos Estados Unidos.
No Chile, a PagBrasil oferece a solução em parceria com a VirtualPOS. Na Argentina, o Banco do Brasil trabalha com o Banco Patagonia para ampliar a aceitação do Pix.
No Uruguai, a tecnologia é disponibilizada pela Getnet, enquanto nos Estados Unidos a integração ocorre por meio da Verifone. Outras instituições financeiras e plataformas de câmbio também participam dos processos de conversão e liquidação.
A disponibilidade, portanto, depende dos acordos comerciais e da infraestrutura existente em cada país. Não se trata, atualmente, de uma extensão automática do sistema brasileiro para qualquer estabelecimento estrangeiro.
Segundo a PagBrasil, a quantidade de transações internacionais realizadas com a tecnologia cresce, em média, 22,5% ao mês. O avanço acompanha a popularização do Pix entre os brasileiros e o interesse de empresas estrangeiras em oferecer alternativas de pagamento voltadas a esse público.











