A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o registro do Aquipta (atogepanto), medicamento desenvolvido especificamente para a prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro episódios da doença por mês. A aprovação amplia as alternativas disponíveis para pessoas que convivem com crises frequentes e pode representar uma nova opção para pacientes que não obtiveram bons resultados com outros tratamentos preventivos.
O novo medicamento pertence a uma classe mais recente de terapias contra a doença e atua diretamente em um dos mecanismos associados à transmissão da dor e ao desenvolvimento das crises.
O atogepanto é um antagonista dos receptores do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido pela sigla CGRP. Essa substância está envolvida nos processos relacionados às crises de enxaqueca e à transmissão da dor no cérebro.
Ao bloquear a ação do CGRP, o medicamento busca reduzir a frequência das crises e, quando elas ocorrerem, contribuir para que sejam menos intensas. Diferentemente de alguns tratamentos preventivos tradicionais que foram originalmente desenvolvidos para outras doenças, os chamados gepants foram desenvolvidos especificamente para atuar nos mecanismos da enxaqueca.
Estudos clínicos apresentados para a avaliação do medicamento demonstraram uma redução significativa no número de dias mensais com enxaqueca em comparação com placebo. O efeito foi observado tanto entre pacientes com enxaqueca episódica quanto naqueles que apresentam a forma crônica da doença.
Uso é preventivo e feito diariamente
O Aquipta é administrado por via oral, em comprimidos, com uso diário. A indicação é voltada a adultos que tenham quatro ou mais dias de enxaqueca por mês.
Em algumas diretrizes de utilização do atogepanto, a indicação considera ainda pacientes que já tenham tentado pelo menos três outros medicamentos preventivos sem melhora satisfatória ou que não tenham conseguido tolerar os efeitos adversos dessas alternativas.
A proposta, portanto, é atuar antes que as crises aconteçam, reduzindo sua frequência e o impacto da doença na rotina. O tratamento preventivo pode ser particularmente importante para pessoas que apresentam episódios recorrentes e têm sua vida profissional, social ou pessoal prejudicada pelas crises.
Náusea e constipação estão entre os efeitos adversos
Como ocorre com outros medicamentos, o atogepanto pode provocar efeitos colaterais, embora eles não apareçam em todas as pessoas.
Entre as reações consideradas comuns estão náusea, constipação, cansaço ou sonolência, redução do apetite e perda de peso. A ocorrência e a intensidade desses efeitos podem variar de acordo com cada paciente.
Por isso, a utilização deve ocorrer com orientação médica, especialmente porque a indicação depende da frequência das crises, do histórico de tratamentos anteriores e da avaliação individual de riscos e benefícios.
Nova classe amplia as alternativas contra a doença
O atogepanto faz parte dos chamados gepants, também conhecidos como antagonistas dos receptores de CGRP. A classe ganhou espaço no tratamento da enxaqueca por atuar em um mecanismo diretamente associado à doença.
Além das opções preventivas, medicamentos dessa classe também passaram a ser estudados e disponibilizados para o tratamento das crises agudas, ou seja, aqueles utilizados quando a enxaqueca já começou. Essa possibilidade é relevante para pacientes que não respondem adequadamente a outras alternativas ou apresentam efeitos adversos importantes.
Outra característica apontada para os gepants é o menor risco de provocar cefaleia por uso excessivo de medicamentos em comparação com alguns tratamentos agudos tradicionais. Isso pode ser especialmente importante para pessoas que precisam recorrer frequentemente a medicamentos para controlar as crises.











