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Anvisa bane remédio popular do Brasil e médicos que receitarem poderão responder criminalmente

Por Pedro Silvini
07/08/2026
Em Geral
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medico laudo hospital

Foto: (Reprodução/Magnific)

O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforçou que médicos não podem prescrever, indicar, aplicar ou intermediar o acesso a medicamentos à base de tirzepatida que não tenham registro sanitário válido no Brasil ou cuja origem, importação e comercialização estejam em desacordo com a legislação. A orientação atinge principalmente produtos contrabandeados, falsificados e fórmulas manipuladas sem procedência regular.

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A medida ganhou destaque em meio ao crescimento do mercado de medicamentos utilizados para emagrecimento. No entanto, é importante esclarecer que a decisão não representa um banimento do Mounjaro ou da tirzepatida regularizada pela Anvisa. O medicamento original continua autorizado no país. A restrição se aplica a produtos sem registro, de origem irregular ou comercializados fora das regras sanitárias.

Segundo o CFM, a consulta médica não pode ser utilizada como mecanismo para facilitar a obtenção de medicamentos trazidos do exterior sem autorização, sem nota fiscal, rastreabilidade ou documentação sanitária adequada. A mesma regra vale para preparações manipuladas que utilizem tirzepatida em desacordo com as normas brasileiras.

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mounjaro
(Reprodução/Shutterstock)

Tirzepatida cresce no mercado de emagrecimento

A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. O medicamento foi submetido a estudos clínicos de diferentes fases antes de receber aprovação para determinadas indicações relacionadas ao diabetes tipo 2 e à obesidade.

No Brasil, a Anvisa reconhece a Eli Lilly como fabricante do princípio ativo e dos medicamentos originais à base de tirzepatida. Por isso, produtos anunciados como “genéricos” ou versões de outras marcas devem ser tratados com cautela e verificados quanto à regularidade sanitária.

A preocupação ocorre em um mercado que ganhou proporções expressivas. Dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), ligado à Anvisa, apontam que farmácias brasileiras comercializaram 443.815 caixas de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” em janeiro de 2026.

O Mounjaro respondeu por aproximadamente 234 mil unidades, o equivalente a 52,8% do total analisado. Na sequência apareceram medicamentos à base de semaglutida, que representaram 45,3% das vendas, incluindo Ozempic, Wegovy e Rybelsus.

A base utilizada no levantamento voltou a ter preenchimento obrigatório em 2025, depois de ficar suspensa desde o fim de 2021. Janeiro de 2026 foi, portanto, o primeiro mês com dados públicos disponíveis desde a retomada, oferecendo uma fotografia inicial do mercado legal desses medicamentos.

CFM alerta para riscos de produtos irregulares

O alerta do conselho médico também envolve as condições necessárias para produzir medicamentos à base de tirzepatida. A molécula é complexa e exige processos rigorosos de fabricação, incluindo controle de pureza, esterilidade e conservação adequada.

A circulação de produtos sem controle pode abrir espaço para falsificações, medicamentos sem registro, substâncias de procedência desconhecida e preparações manipuladas fora das exigências sanitárias.

Também foram identificados casos de comercialização ilegal dessas substâncias em locais que não possuem estrutura adequada para a venda de medicamentos, incluindo salões de cabeleireiro.

O CFM considera irregular utilizar a prescrição ou a consulta médica para viabilizar o acesso a produtos que não estejam legalmente autorizados no território nacional. A conduta pode gerar consequências éticas e legais ao profissional, dependendo do caso e da infração cometida.

Mercado das canetas movimenta milhões

O levantamento do SNGPC mostra ainda que a procura por esses medicamentos está concentrada principalmente entre adultos. A idade média dos compradores foi de 47 anos entre mulheres e 46 anos entre homens, enquanto a faixa de 40 a 49 anos concentrou 26,5% das vendas.

O Sudeste respondeu por 60,4% das caixas comercializadas em janeiro, com 268.155 unidades. A região, apesar de ser a mais populosa do país, concentra 41,6% da população brasileira. Em consumo proporcional, o Sudeste ficou à frente de Centro-Oeste e Sul.

Entre os estados e unidades da federação, o Distrito Federal apresentou o maior consumo proporcional, com 508 caixas para cada 100 mil habitantes.

Os dados, contudo, não permitem determinar quantas pessoas utilizaram os medicamentos. O sistema registra caixas comercializadas, mas não individualiza os compradores nem permite saber se uma mesma pessoa adquiriu mais de uma unidade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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