Mais de 112 mil imóveis permanecem sem energia elétrica no estado do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (31), mais de 40 horas após o vendaval que atingiu a capital e municípios da Baixada Fluminense. A demora no restabelecimento do serviço provocou protestos de moradores em diferentes regiões e gerou prejuízos para famílias e comerciantes afetados pela interrupção prolongada do fornecimento.
Segundo as concessionárias responsáveis pela distribuição de energia, os trabalhos de reparo seguem em andamento. A Light informou que pretende normalizar o abastecimento nas áreas sob sua responsabilidade até o fim do dia, enquanto a Enel concentra esforços nos municípios do Sul Fluminense, onde ainda há milhares de consumidores sem luz.
De acordo com a Light, cerca de 105 mil imóveis ainda estavam sem energia na manhã desta sexta-feira. Os bairros mais afetados na cidade do Rio de Janeiro são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes.
Na Baixada Fluminense, os maiores impactos foram registrados em Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nilópolis e São João de Meriti.
Já a Enel informou que aproximadamente 7,8 mil imóveis seguem sem fornecimento de energia, principalmente nos municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, no Sul Fluminense.
Moradores relatam prejuízos e perda de alimentos
Nas redes sociais, consumidores criticaram a demora para a normalização do serviço e relataram prejuízos causados pela falta de energia.
Moradores afirmaram ter perdido alimentos armazenados em geladeiras e freezers, além de enfrentarem dificuldades para conservar medicamentos que dependem de refrigeração. Em alguns bairros, a interrupção ultrapassou 40 horas.
No Recreio dos Bandeirantes, por exemplo, moradores informaram que o fornecimento só foi restabelecido na noite de quinta-feira (30), após mais de 30 horas sem energia.
Em Campo Grande, empresários também relataram prejuízos. Um comerciante afirmou que cerca de 32 toneladas de produtos armazenados em uma panificadora corriam risco de perda devido à interrupção prolongada da eletricidade.
Já em São João de Meriti, moradores relataram que parte dos bairros continua sem abastecimento porque árvores derrubadas pelo vendaval ainda bloqueiam a rede elétrica e dependem da remoção por equipes municipais antes do início dos reparos.
Indicadores mostram desafio no atendimento às ocorrências
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que, entre janeiro e maio deste ano, o tempo médio de atendimento a emergências da Light foi de 568 minutos, o equivalente a aproximadamente 9 horas e 30 minutos.
O indicador considera três etapas: preparação das equipes, deslocamento até o local da ocorrência e execução do reparo.
A maior parte desse tempo corresponde à preparação das equipes, que leva em média 506 minutos. O deslocamento representa cerca de 25 minutos, enquanto o reparo é concluído, em média, em 36 minutos após a chegada ao local.
Embora o desempenho seja muito melhor que o registrado em 2022, quando o tempo médio de atendimento ultrapassava 23 horas, os números mostram pouca evolução em relação ao ano passado, mantendo as críticas de consumidores diante da demora para a recomposição do serviço após eventos climáticos de grande intensidade.












