O Assaí Atacadista registrou lucro líquido de R$ 86 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma queda de 46,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (27) e reflete um cenário considerado atípico para o setor.
Apesar da forte retração no lucro, a companhia informou que, ao considerar créditos adicionais de PIS/Cofins, o resultado ajustado chega a R$ 367 milhões no período, suavizando parcialmente o impacto negativo.
De acordo com a empresa, o início do ano foi marcado por um conjunto de fatores incomuns, especialmente a queda simultânea nos preços de produtos básicos. Itens como arroz, feijão, açúcar, óleo de soja, farinha de trigo e leite UHT registraram deflação média de cerca de 12% no trimestre.
Segundo o próprio Assaí, esse movimento é raro no setor e impacta diretamente o desempenho da rede, que atende principalmente consumidores de menor renda.
Entre janeiro e março, a companhia apurou receita líquida de R$ 18,64 bilhões, praticamente estável na comparação anual. O número ficou levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetava cerca de R$ 18,95 bilhões.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional, somou aproximadamente R$ 1,02 bilhão, também abaixo das estimativas de analistas, mas próximo do registrado no mesmo período do ano passado.
Custos e despesas
O custo das mercadorias vendidas recuou 2,4%, totalizando R$ 15,1 bilhões, enquanto o lucro bruto atingiu R$ 3,52 bilhões, com crescimento de 14,9% em um ano.
Já as despesas com vendas, gerais e administrativas ficaram em R$ 1,75 bilhão, praticamente estáveis. Por outro lado, o resultado financeiro líquido apresentou piora de 10,1%, com saldo negativo de R$ 870 milhões.
Ao final de março, a dívida líquida da companhia estava em R$ 11,5 bilhões, com índice de alavancagem de 2,52 vezes. Mesmo com os desafios no trimestre, o Assaí segue como uma das principais redes do varejo alimentar no Brasil.
Levantamento recente aponta a empresa como a marca mais valiosa do país no segmento de atacarejo, com valor estimado em mais de R$ 12 bilhões, à frente de concorrentes tradicionais.




